quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amor de carnaval


Um conto baseado em uma história real


Fevereiro, o mês dos amores e dos desencontros entre namorados. Parecia o momento perfeito, não para ela que não curtia este tipo de diversão. Preferia os shows de rock, à noite e bebidas alcoólicas com seus amigos.
Foi de má vontade e forçada, só tinha quinze anos e toda a sua família iria viajar para fora do Rio. Havia combinado de viajar com uma amiga para poder ter alguém com quem sair e conversar – ela sabia como seria enlouquecedor aquele carnaval - mas a sua amiga desmarcou uma hora antes de viajarem. Enfurecida, desligou o celular para não falar com a tal "mui amiga". Seu humor estava péssimo.
Para a sua família, ela era a ovelha negra desgarrada e anti - social. Então não ligava muito do que pensavam dela. A opinião dos outros nunca lhe afetou.
Só que na realidade não era nada disso. No fundo ela era apenas uma menina quase mulher que queria conhecer o mundo e só estava meio perdida.
Ela só queria curtir a noite com os seus amigos e desejava que fossem momentos inesquecíveis. Também queria alguém para compartilhar a beleza daqueles dias e amenizar a solidão daquelas noites.
Durante a viagem, sua família enchendo o saco como sempre, cantando músicas sem noção. Enquanto ela ouvia Pearl Jam bem alto em seu fone.
Ela via árvores e campos, mas nada da cidade chegar.
Até que chegou. Ela era o oposto aquilo tudo. A cidade era ensolarada, alegre e contagiante. Um verdadeiro paraíso particular. Ela era sombria, calada e odiava ser do tipo “oba oba”.
Chegaram na casa na vila em que passariam as férias e ao descer do carro, alguma coisa mudou.
Estava cheio, fazia sol e as pessoas desfilavam por aí em um dia lindo como aquele. Ela usava um vestido preto e fazia questão de não parecer muito simpática.
Foi ajudar seu pai com as malas e notou que todos olhavam para ela. Inclusive, um cara. Ele a encarava. Muito. Ele era o oposto dela: tipo bonitão, sarado, moreno, sorridente, feliz e confortável. “Idiota”, ela pensou ao passar por ele.
Muitos dias se passaram, ela ia emburrada para a praia, parques de diversões e restaurantes. Às vezes ficava trancafiada quando não queria encarar um trio elétrico tocando axé ou então andava sozinha pela praia com Smiths no seu fone.
Um dia voltou mais cedo para a vila e encontrou uma menina sentada na praça. Usava uma blusa rosa e pulseiras como a dela. Ela se sentou e as duas ficaram se encarando um tempo, procurando motivos e coisas para conversar. Até que a outra se apresentou e uma amizade nasceu entre elas. Tinham tanto em comum, ídolos, músicas, filmes e personalidade. Esta lhe apresentou outros, inclusive ele. De quem mantinha distância.
Conversa vai, conversa vem. Muitas coisas ditas. O início de uma amizade entre eles. Eram cinco caras e duas mulheres, uma florzinha, outra com ares de Lara Croft.
Eram risadas, sorvetes, Pitty, System Of a Down, Linkin Park, Cigarros, madrugada, fugida de carros e olhares.
Até que um dia, ela percebeu que ele a olhou diferente. Viu algo nos olhos deles que não soube descrever. Sentiu medo, mas também teve uma sensação muito boa. De aconchego, amor e desejo. E ela sabia que ele também sentia.
Ele sorriu para ela e ela não tinha como não retribuir.
Alguns dias se passaram, as saídas dele para outros lugares a incomodava. E ela nada dizia. Até que um dia, depois de uma longa partida de War, só sobraram os dois. Não deixou de reparar a ironia. Foram deixados sozinhos pelos seus amigos.
Começaram a conversar e o entrosamento era evidente. Os dois nervosos, super atrapalhados e mal sabiam o que fazer. Quando menos pensaram, se beijaram. Um sorriso veio no final.
E foram muitos dias assim. Ela sorria de um jeito que nunca sorriu, conheceu sentimentos e sensações que nunca havia sentido. Gozou da liberdade de uma vida sem frescura.
Era um novo eu que ela tinha encontrado. Talvez não novo, apenas desconhecido.
E com o novo eu dele, se encaixava perfeitamente. Ambos eram de aquário, ele um dia e um ano antes dela. Riram da tremenda coincidência.
Ao lado dele, ela foi muito feliz. E não tinham vergonha alguma de expor o que sentiam um pelo outro na frente de outras pessoas.
Até que as férias acabaram. Eles se despediram e sentiram vontade de falar algo.
“– Fica vai” ou então” – Quando a gente vai se encontrar de novo?”. Só que não disseram.
Dois corações partidos ficaram. Um até logo que significava nunca mais. Nenhum dos dois sabia exatamente o porquê, mas aconteceu.
Ela voltou, era outra pessoa. Ele também. Nunca mais se viram, se esbarraram ou procuraram um ao outro. Foi um daqueles amores de verão que só o carnaval pode proporcionar.
Só que os dois sabem muito bem que aquilo foi uma experiência muito maior que aconteceu para mudar a vida de cada um deles. Eles precisavam se redescobrir e foi através de um com o outro que isso aconteceu.

22 comentários:

  1. Sempre tem esses amores de carnavais rs
    Vi seu blog em um blog que temos em comum...
    achei interessante e super legal...
    Já estou te seguindo
    http://marifriend.blogspot.com/
    beijo

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  2. Lindo texto, sou eu quem lhe admira Ju, tens uma escrita adorável! (:

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  3. ounw que história linda.. e quantas vezes não já foi assim? encontramos pessoas, elas somem ou nós sumimos .. porém sempre haverá um pedacinho delas conosco.

    Adorei seu blog *--* e vim agradecer a visita, estou te seguindo e seja bem vinda ... vou voltar sempre. Beiijos ;*

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  4. Uma história muito bem escrita. Em três etapas:
    - Início: personagem (aparentemente) sonhador;

    - Meio: Algo inesperado (e bom) acontece;

    - Final: A nostalgia do personagem.

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  5. O importante é viver...INTENSAMENTE.
    Beijos :D

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  6. Engraçado, mas é que as vezes precisamos de um desses para afirmação de vida, né?
    Então que venham os amores (:

    Passando pra te avisar que já, já tem post novo no blog! Desculpe a demora mas enfim, agora sai. Fique atenta e corra lá ^^.

    Até outra hora! Beijos! =*

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  7. Ola, obrigada pela visita e comentário carinhoso. Seu blog é um encanto, adorei seu texto!
    Uma ótima quinta-feira pra vc. Flores e sorrisos :)

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  8. Ai , cara , eu estou tão sensível ultimamente , e você ainda me aparece com um romance desses .. rsrs'
    O que mais me impressionou , no entanto , foi que o conto é estupidamente real . Os amores podem ser lindos sim , mas não precisa ser um amor de cinema . E uma pessoa pode sim mudar nossa vida pra sempre .
    Enfim , é uma estória linda e muito bem escrita !

    Mais uma vez , muitíssimo obrigada pelos elogios (: Também tenho uma mega vontade de conhecê-la pessoalmente . Mas eu gostaria que fosse algo inesperado , por exemplo , numa viagem a gente se encontra e : "ei, por um acaso você não é a garota do blog?" Seria divertido ..
    E eu também me animo muito com seus comentários , você tem um alto-astral contagiante - e olha que a gente só se conhece virtualmente ! Você deve ser a animação em pessoa ! rsrs'
    Que bom que conhece meus outros cantinhos ... Eu não consigo deixar tudo que quero dizer num mesmo blog , Ju , porque sou uma personalidade múltipla . Dilly , Dani , Danielle , Dill , uma diferente da outra . E enquanto eu não conseguir equilibrá-las , terei que mantê-las separadas para que possa dar a devida atenção a cada uma .
    Beijos , flor ! Será sempre bem-vinda ♥

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  9. Quando menos esperamos somos surpreendidos com historias lindas. E mesmo que passe sempre ficará algo que devemos guardar com muito amor. Adorei :)

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  10. Tem post novo, menina meiga! (:
    Corre lá =*

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  11. Nossa, ameiii gente!! adoro contos assim.. uhuhuh..apesar do final né, pq sempre queremos q fiquem juntos, mas prefiro assim.. mais emoção e realidade! xD

    bjusss

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  12. O importante foi aquele momento mágico que existiu e que ficará marcado no lado esquerdo do peito. Isso é viver. Beijinhos.

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  13. Gostei daqui! Já sigo.
    Me segue se puder. Beijos Ju =)

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  14. flor ja estou te seguindo
    adorei o post
    bj
    http://thecamilamorena.blogspot.com

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  15. Oii Ju, quanto tempo! Sim, sim, estou cursando letras na Unesp de São José do Rio Preto, e estou me identificando muito com o curso. Adorando! :) Você já está no segundo ano, né?

    Bom, quanto ao seu texto, eu adorei, lindo demais. Senti falta de ler seus escritos, mas, prometo que não sumirei mais!

    Beiijos!

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  16. Ai ai, os amores de verão *suspira* haha,
    quando eu era mais nova super rolou um amor de verão, mas ficaram só nos olhares mesmo, olhares 100% apaixonados, hahah.
    Gostei do conto ^^

    beijos

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  17. Oi, Juliana!
    Bom texto. É o que acontece, mas é triste, não?

    Beijos,
    Vanessa Sagossi
    comentandoofilme.blogspot.com

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  18. Amores de carnavais quem nunca teve um que atire a primeira pedra né! rs
    História muito bem escrita, parabéns!

    Beijos

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  19. Você é bastante criativa e tem uma narrativa que atrai a atenção.

    Gostei de passar por aqui

    Talita

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  20. Que conto lindo! Nunca vivi um amor de carnaval he
    http://www.prontaparacrescer.com/

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  21. "Até que um dia, ela percebeu que ele a olhou diferente. Viu algo nos olhos deles que não soube descrever. Sentiu medo, mas também teve uma sensação muito boa. De aconchego, amor e desejo. E ela sabia que ele também sentia."

    E foi assim...tudo ao mesmo tempo,sem chance para pensar,só conseguiam sentir e isso LINDO!

    *Amores breves que não se esquecerão...

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