sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eternamente


Ela agora estava sozinha.
Já tinham se passado muitos meses desde que se tornou tão só. Só de lembrar sentia uma dor aguda dentro do peito.
Tentava ignorar tudo ao seu redor, mas não tinha como. Nada seria como antes. A vida não tinha o mesmo sentido para ela agora. Olhava o pôr do sol, casais sorrindo e sentia inveja. Se isolava do mundo ao observar situações de felicidade.
As pessoas lhe olhavam com pena, como se quisessem pegá-la no colo e acalentá-la. Era tudo o que queria, e por mais que sofresse não dava o braço a torcer.
Só que faltavam sorrisos e não estava enganando ninguém. Agora ela era imensamente infeliz.
Antes fosse um término de namoro ou uma nota baixa. Só que isso não tinha volta, era irreversível.
Lá se foram seis meses que ele havia partido, e dito que retornaria. Nunca se sentiu tão sozinha, pois tinha a sensação de que ele era o único que a conhecia melhor que ninguém. Ele sabia quando estava feliz, quando estava mentindo, quem era seus ídolos preferidos e comida que lhe agradava mais. Ela não precisava dizer nada na frente dele, pois ele conseguia decifrá-la. Tantos os seus defeitos quanto as suas qualidades, ele sabia de có.
E ela sentia muita falta dele, por inteiro. Desde o sorriso, o olhar, a voz, o cheiro e o toque da mão dele na dela. Ela dava tudo no mundo para senti-lo por apenas cinco minutos.
E já fazia muito tempo em que ele partira sem dizer adeus. Ela o esperou e ele nunca mais voltou.
Justamente agora que ele havia encontrado uma oferta de emprego melhor e depois de tanto tempo juntos podiam pensar em casamento.
Seus pais lhe colocaram na terapia. Todo dia, o terapeuta perguntava : “- Como se sente?”
E ela não respondia, por que o que iria responder?
Ela era jovem, feliz, tinha tudo pela frente. Sonhos e planos. Então um belo dia, seu namorado com quem estava marcando casamento morreu em um acidente de carro. Como acha que ela se sentia?
A dor era a sua mais nova melhor amiga. Suas amigas lhe faziam companhia, mas era como se ninguém estivesse ao seu lado. Não ouvia, não falava e quase não comia.
Ela ia aos lugares que eles iam e a noite esperava ele chegar. Acreditava de que alguma forma, pelo outro lado, ele poderia dar boa noite.
Era estranho, por mais que tentasse aceitar a morte dele, não conseguia. Ela vivia como se ele estivesse longe, não se comunicasse e fosse voltar. Indiretamente todos os dias esperava. Ligava para o celular dele e olhava as fotos. Ela sentia como se fosse dele e o amaria eternamente. Era uma viúva.
E ela se olhava no espelho, mas não via nada. Porque na realidade, ela também tinha morrido para a vida.
E vivia um dia após o outro de forma mecânica como um robô. Ela havia perdido a sensibilidade da vida. Pobre menina, tão jovem e tão cheia de dores da vida.

16 comentários:

  1. Quando a saudade entra em conflito com a sua própria essência, especialmente quando no caso é uma morte, então tudo se torna dor. É inevitável.

    - HISTÓRIA LINDA E TRISTE -

    ResponderExcluir
  2. Sabe quando lemos algo e aquilo nos toca de uma forma que acreditamos pensar que vivenciamos aquilo de alguma maneira?
    Amiga,você mudou aos poucos sua forma de escrever...tá tão madura,e me senti envolvida com sua história!!Demais,demais...

    ResponderExcluir
  3. acabo de conhecer teu blog e já amei tudo por aqui...amei tanto que já virei seguidora, passa no meu blog e segue também Ok!

    Bjos te espero por lá!

    ResponderExcluir
  4. A dor da perda junto com a saudade é terrível. A pessoa se desprende do mundo. Isso pode acontecer em qualquer idade. Com qualquer pessoa. É uma história triste que se repete muito. Texto bem escrito. Beijinhos.

    ResponderExcluir
  5. História triste, repleta de sentimento adorei, não porque ela é triste, mas por passar uma realidade.
    Adorei mesmo linda.
    adoro seus comentários em meu blog, espero sua visitar lá...
    http://marifriend.blogspot.com/2011/09/escolhas.html

    beijo

    ResponderExcluir
  6. Oi amore!
    Fiquei muito feliz com seu coment no meu O Diário Thompson! ^^
    Visualizei seu perfil aqui do Blogger e seu outro blog que está com um post sobre velas. E reparei algumas afinidades entre a gente! ^^
    Também gosto do bom e velho Rock'n"roll... sou wiccana...
    Bem, como você curte rock, indie e etc. qualquer hora que puder visita um blog que tenho, que escrevo nele raramente (só quando tenho mais tempo, mas já escrevi alguns posts) é rockaaline.blogspot.com
    Seguindo seus blogs.

    ...beijinhos***

    ResponderExcluir
  7. Saudadee, hô coisa mais coisada (como diz um amigo)

    Beijão JUUUUUH! Escereves muito bem(:

    ResponderExcluir
  8. Tem um selinho pra você lá no meu blog
    http://marifriend.blogspot.com/2011/09/selinho.html

    Beijo bom domingo

    ResponderExcluir
  9. Own, que texto triste mas mt emocionante.
    Perder alguém que a gente ama demais é uma dor imensa, só que já passou sabe como é.
    Da uma passadinha lá?
    http://jooymartins.blogspot.com/
    Beeeeijos e estou seguindo seu blog *-*

    ResponderExcluir
  10. Ah, mas que triste. Mas é bem bonito!

    Beijos,
    Vanessa Sagossi
    comentandoofilme.blogspot.com

    ResponderExcluir
  11. "Se isolava do mundo ao observar situações de felicidade"
    Depois de ter lido O Demônio e a Srta. Prym e O Caçador de Pipas , eu cheguei à conlcusão de que a dor se torna mais suportável quando outras pesosas também estão infelizes , e quando elas não o estão , sua felicidade nos dilacera o peito . é triste , mas é verdade.
    E a perda de alguém amado com certeza é a pior das dores. Não há o que dizer , é simplesmente inexplicável . E também naõ é algo que se supera , mas que se aprende a conviver com isso .
    Vocẽ escreveu de um jeito tão envolvente , natural e original que quase deu pra sentir e compartilhar a dor com a peersonagem . E dá pra sentir também a múscia Eu do Pato Fu o tempo todo .
    Gostaria de saber mais sobre seus livros , minha querida linda (posso chamá-la assim ?) . E veja só que coincidência : também estou escrevendo um ! Tenho mais ideias , é verdade , mas por enquanto estou trabalhando só em um , o mais simples e adiantado . Você escreve crônicas , contos , diários .. ? Suspense , comédia ou romances ? Desculpa a curiosidade , mas você está certa : se nos encontrássemos ao vivo , seria conversa pra mais de kilômetro ! rsrs'
    Ah , diga ao seu namorado que um dia vamos trabalhar juntos ! rsrs'
    Beeijos , minha querida linda ♥

    ResponderExcluir
  12. Ah nem =/
    Dia desses, depois que terminei de ler o livro "um dia" fiquei pensando nessa coisa de morte, de ser viuva, acho muito complicado, uma das piores coisas do mundo sem dúvida. Não sei se saberia lidar sabe?
    gostei da história, beijos beijos.

    ResponderExcluir
  13. Nos sentir só é uma dor terrível, mas ter a capacidade de superar a dor e nos encontrar é o caminho para não se sentir mais tão só!
    Adorei mesmo teu blog, querida. Texto lindo!
    Ah, agradeço por estares me seguindo, e também te sigo agora!
    Beijos, G.
    www.2pitadasdesal.blogspot.com

    ResponderExcluir
  14. Não esquece que mesmo nesses momentos, nunca se esta sozinha

    ResponderExcluir
  15. O tempo tira tantos momentos inesquecíveis.
    "Para onde vão os dias que passam?"
    Seu lindo post me fez questionar sobre isso mais uma vez.

    Beijo,thanks pelo carinho!

    ResponderExcluir
  16. é um texto com muito sentimento! a saudade é algo que nos corrói a todos. adoro seus textos, continue!

    ResponderExcluir