domingo, 11 de dezembro de 2011

O desafio - Parte I


Tenho feelling para fantasia?


Anne sempre fora uma jovem muito criativa. Sua família dizia que sua mente dava asas para a sua imaginação. Era uma menina que cresceu cercada de livros e morava em uma cidade muito pequena, daquelas que todos se conheciam, todos acompanharam seu crescimento e seus vizinhos sabiam coisas sobre a sua vida que ela mesma sequer sabia.
Era nesse ritmo que ela vivia e sonhava em um dia fugir dali. Ela morava em Londonville e por lá não havia shopping, boate ou qualquer coisa da moda. Tinha um mercado, uma escola, um cinema e um sebo. E muitas livrarias, pelo menos alguma coisa salvava aquele lugar.
Foi assim que ela passou grande parte de sua vida. Fazia piqueniques com sua melhor amiga, Nancy e lia seus livros da Jane Austen. Anne era doida para viver uma trama daquele tipo, como via nos livros, mas sabia que a vida real era um tanto entediante.
Ela estava no segundo grau e sabia que estava longe de ser o tipo de algum garoto. Ela gostava de livros, gatos e ouvia bandas que ninguém conhecia. Ah, minto, ela ouvia Radiohead, banda que todo menino nerd diz prazer em conhecer.
Então, ela não era o tipo que os garotos buscavam. Apesar de ser alta, ser tão branca quanto à branca de neve e ter cabelos tão claros que justificavam seu apelido "russa" que ganhou quando entrou no colégio e nunca mais perdeu. Mesmo assim, ela estava mais para o tipo “amiga” do que querida.
Ela não odiava sua vida, só queria algo que mexesse com ela. Só que parecia muito difícil. Cansada de todos e da rotina lerda de uma cidade pequena, Annie até namorou o seu melhor amigo Peter que se mudou havia um ano. Com isso, a amizade que tinha, morreu e se transformou em amor. Com a mudança, os sentimentos evaporaram e não restou nada. Desde então, ela estava solteira.
Sua amiga Nancy que era bem mais doidinha que ela, dava força para ela se rebelar. Ela era uma garota muito solta, no alto dos seus dezesseis anos, tinha o cabelo pintado de preto, gótica e curtia baladas. Ela dizia que Anne era careta.
- Ah, sou mesmo, Nancy. Sou muito retrô para esse mundão.
E Anne não se sentia culpada por isso. Não mesmo. Seus pais sempre lhe diziam que ela deveria ser quem realmente era. Então ela seguia daquele jeito, as pessoas aceitando ou não.
Era só mais uma terça feira de Dezembro. A neve tomava conta do lugar e Anne tinha terminado uma prova de matemática que não tinha dúvidas de ter tomado bomba.
- Ah, eu não sei pra quê inventaram a matemática. Sério, para que? Eu gosto de ler, não vou precisar de contas.
- Não vai precisa? O que você pretende mesmo ser? - Nancy zombou.
Ela dizia que seria administradora, mas isso era quase impossível para alguém que não sabia nem lidar com a bagunça do seu quarto e não tinha a menor aptidão para números.
- Ih, não sei. De repente sigo com a sua banda que você vai cair na estrada.
- Até parece! Na primeira parada, você vai cair fora e voltar para papai e mamãe! - comentou Nancy aos risos.
- Como é que é? - Anne jogou sua mochila na amiga que tentou desviar aos risos. - Esse lance de me zoar de careta já tá ficando chato.
- Aé? Então eu te desafio a sair comigo para uma festa que vai ter hoje.
- Fechado.
- Eu ainda não disse o horário, Miss Anne. Será meia noite – Anne arregalou os olhos. - E você vai escondido dos seus pais. Afinal, não tem a menor graça ir com a permissão deles. Fechado? - Nancy estendeu a mão. - Quem perder a aposta, faz a prova do outro pelo resto do semestre.
- Mas...
- É pegar ou largar Anne. Hoje a meia noite, uma festa com vários roqueiros malucos. Que tal?
Ela pensou em desistir, afinal isso não era justo com seus pais. Só que estava cansada de ver todo mundo falando o quanto a sua vida era entediante e o quanto ela era careta. Ela queria mostrar para todo mundo que não era nada daquilo que pensavam.
- Fechado - ela estendeu a mão.
- Passo às onze e meia na sua janela. Janta cedo e diz para os seus pais que está cansada da prova.
- Mas e amanhã, como iremos para a escola?
- A gente chega em cima da hora, você entra pela janela e saí. Simples assim.
Nancy definitivamente tinha um jeito muito louco de levar a vida.
- Tudo bem. - ela cumprimentou - Aceito o desafio, agora tenho que ir para a casa estudar para a prova de amanhã.
Nancy caiu na gargalhada e disse:
- É, Anne. Você não tem jeito mesmo não!
Até que Anne conseguiu enganar os pais direitinho. Ela se sentiu culpada, mas preferiu manter o acordo, nem era por causa da prova, afinal ela nem sabia colar direito, mas sim porque se sentia atraída a cumprir o desafio.
Nancy havia mandando uma mensagem dizendo para Anne esperá-la fora de casa. Anne morava ao lado da Floresta da cidade. Aquilo nunca lhe incomodou muito. Afinal, nunca fora de sair à noite. Mas pensando bem, a floresta de Londonville tinha um aspecto assustador aquela hora.
A lua estava cheia, sua rua infelizmente não era muito iluminada, Anne morava na parte mais afastada da cidade e podia ouvir o som de alguns animais. Por algum motivo inexplicável, sentiu medo, um arrepio lhe tomou conta.
- Seria bom que Nancy chegasse logo - ela falou para si mesma.
Lá dentro, seus pais dormiam profundamente. Enquanto sua filha estava indefesa lá fora com bichos que poderiam fazer algo a ela. Com medo, ela nem sentiu o seu celular tremer com a mensagem de Nancy.
- Hey, vou me atrasar! Estou enrolando meus velhos. Tudo bem se eu demorar meia hora, ILOVEYOU <3
Anne ficou com raiva, estava ali há alguns minutos enquanto esperava por ela, que não iria chegar tão cedo. Resolveu voltar para a cama e que se dane o desafio, pensou. Se virou e tocou na janela para entrar, foi então que percebeu que estava lá fora, presa e trancafiada, havia esquecido a chave lá dentro.
É, sem dúvidas não tenho inclinação para malandragem – ela pensou, se odiando por isso.
Como ela iria explicar isso aos pais? Estava toda arrumada, com um mini vestido que Nancy lhe emprestou que nem sabe dizer como teve coragem de pôr. Eles saberiam na hora que ela estava mentindo e tomaria um sermão, isso senão ficasse de castigo. Ela não queria correr aquele risco. Pensou em ir até a casa de alguém, mas estava escuro e deserto por ali.
- Ah, posso esperar aqui mesmo. Não deve acontecer nada, estou tecnicamente na minha casa.
Engano seu. Ela estava indo para a varanda, quando ouviu passos. Havia alguém ali por perto. Os passos por ora diminuíam e aumentavam. Ela se escondeu atrás da cadeira de balanço. Os passos foram ficando cada vez mais pertos e um lobo uivou. O que quer que fosse estava ali ao seu lado.
E então ela desmaiou.

Inspiração: http://www.youtube.com/watch?v=DIE9U5nPzB0

21 comentários:

  1. Adorei! Fiquei querendo muito uma continuação! Vai ter?

    Beijo

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  2. Oi moça fiquei feliz em ver uma nova seguidora lá!

    Obrigado!

    Beijo

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  3. Olá , minha querida linda (:
    Já notou que nossos comentários estão ficando cada vez maiores ? rs'
    Adorei sua estória , as personagens, o desafio - agora também estou curiosa pra saber o que aconteceu com a Anne . Parece que você se inspirou na floresta proibida de Hogwarts rsrs' E toda a construção me lembrou o livro O Demônio e a Srta. Prym , do Paulo Coelho (livro bom, aliás) .Mas o que me surrpeendeu de fato foi a referência à Jane Austen e o nome da personagem , Anne . A minha melhor amiga é super fã da Jane e ela também cosntruiu uma estória cuja personagem principal era uma adolescente chamada Anne . No momento , ela está reconstruindo o enredo .
    Que bom que você se dispôs a ler minha estória ! Tenho mais de uma , mas como você é muito sonhadora e fã de fantasia , vou mandar uma saga que estou construindo neste gênero . Vai demorar muito para ficar pronta , mas entender essa estória é desvendar-me por completo .
    E minha estória de criança terá mais 3 posts . Acho que você vai gostar do final (;

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  4. Juliana, toda texto literário nasce no autor, imbuído de influências. Há diversas e contraditórias. Algumas se debatem no interior do escritor. E é nesse conflito que os contrastes se harmonizam. Teu texto trás algo dos contos modernos americanos, algo da literatura infanto-juvenil e das séries de TV americana. É a impressão que tenho. O importante no início é termos a consciência dos traços tutelares de nossas primeiras tentativas no âmbito literário. É um movimento interno e que requer a reflexão sistemática. No início do seu texto tu perguntaste se tens o “feelling” para a fantasia: claro que tens! Tua imaginação trabalha com a linguagem na formulação do manuscrito. E percebo que você é uma aspirante a escritora com consciência crítica: pois deixaste ao término do texto a referência a sua inspiração. Isso é bom, afinal, demonstra o domínio que você vem adquirindo sobre os temas e os gêneros que estão até o momento guiando e influenciando a sua primeira literatura. Persista com o olhar claro e lúcido – como diz Enrique Vila-Matas – escrever e escrever sempre, eis a tarefa do escritor.

    Abraço
    P.S: Deixo o convite para que leia a postagem: Uma lira ensebada (no Folhas Avulsas).

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  5. Bom dia, Ju! Como vai? Espero que bem!
    Querida, eu andei tendo problemas com os comentários, não conseguia respondê-los. Quando eu ia no blog de alguém para comentar, pedia para selecionar um perfil, mas não aparecia as opções. Dai eu fiquei dias sem mexer, até desanimei de postar, tanto que estou com umas quatro ou cinco postagens com comentários acumulados. Só agora parece que voltou ao normal, espero não passar por isso novamente, é muito ruim. Até porque, quem comenta no meu blog, pode ter pensado que eu não respondi porque não quis. Mas não foi isso ok? Espero que entenda!
    Mas então, o que você disse, faz todo sentido pra mim. Realmente só o tempo pode nos ajudar nessa longa caminhada que chamamos de vida.
    A vida me preparou uma surpresa, surpreendendo não só mim, mas é que coisas que eu sempre imaginei que poderia acontecer com qualquer um, menos comigo, sabe? Simplesmente aconteceu! E eu to feliz demais, o bom é isso.
    Mas ó, que bom que gostou do meu blog, vou pedir que fique atenta aos marcadores, porque na parte lateral do meu blog, inclusive, tem uma gadget onde eu deixo claro que os textos que são meus, estão com o meu nome (Luana Neiva) marcado, os que não são, estão com os nomes dos respectivos donos e aqueles que estão sem marcadores é porque cujo autor eu desconheço. To te falando isso porque assim como você gostou desse post "Dias difíceis", outras pessoas também gostaram bastante e eu não desconsidero quando elas me agradecem pelas palavras, porque o texto pode não ser meu, mas de um jeito ou de outro, faz parte de mim por eu ter me encaixado nele de alguma forma e postando o mesmo no meu blog, dou a oportunidade de outras pessoas também se identificarem com as palavras ali escritas.
    Mas, falando do seu post, simplesmente maravilhoso. Adorei o conto, você sabe bem como prender a atenção de quem tá lendo. Vou aguardar ansiosa por mais viu?
    Um beijo e desculpa pelo comentário absurdo! :) rs

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  6. Adorei demais. Quero a continuação!

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  7. olá me chamo bruno adorei vosso blog grande abraço bjs bruno

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  8. Fiquei teeeeeeeeeeeeeensa, Ju!

    =)

    Muito, muito bom, excelente ritmo, parabéns!

    Quando tem mais?

    Um beijo, flor.

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  9. OMG, ameei *--* Também estou curiosa com a continuação :~ rsrs'

    Beijos
    aritmeticadasletras.blogspot.com

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  10. Oi Ju! Gostei bastante da história, dos personagens e do suspense que você criou no decorrer da narrativa. Fiquei a imaginar o que poderia acontecer com Anne, e estou ansiosa pela continuação da história. Espero que em breve, nós, os leitores do seu blog, possamos ler a continuação.

    Beijos Ju!

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  11. Que lindo, aguardo a continuação querida!
    Que seja logo! rs

    Beijos e desde já um feliz natal pra ti!

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  12. Own...e a expectativa fica como? rs
    Parte 2 aguardando ansiosamente!
    Você hein? Uma escritora nata!

    Radiohead eu amo *.*

    *Desculpa a demora,mas estava super sem tempo para passar por aqui...mas felizmente as férias estão aí =)

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  13. Juliana, como a senhorita está? Bom final de semana.

    Abraço

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  14. Olá Juliana, gostei do início da história, aguardo a continuação.

    Estou publicando um conto em capítulos no meu blog também, chama-se "A Nova Era". Caso você se interesse, por favor visite:

    http://reflexoesdo719r.blogspot.com/

    Abraço.

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  15. Menina linda, que conto ótimo! Tô querendo ver mais, muito mais!
    Beijos e obrigada pelos comentários lindos de sempre! *---*
    Beijos!

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  16. ainda bem que li esse post quando saiu a segunda parte do conto :) vou agora ler o restante, já que você conseguiu me prender com a estória.

    beijo

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