quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amor de carnaval


Um conto baseado em uma história real


Fevereiro, o mês dos amores e dos desencontros entre namorados. Parecia o momento perfeito, não para ela que não curtia este tipo de diversão. Preferia os shows de rock, à noite e bebidas alcoólicas com seus amigos.
Foi de má vontade e forçada, só tinha quinze anos e toda a sua família iria viajar para fora do Rio. Havia combinado de viajar com uma amiga para poder ter alguém com quem sair e conversar – ela sabia como seria enlouquecedor aquele carnaval - mas a sua amiga desmarcou uma hora antes de viajarem. Enfurecida, desligou o celular para não falar com a tal "mui amiga". Seu humor estava péssimo.
Para a sua família, ela era a ovelha negra desgarrada e anti - social. Então não ligava muito do que pensavam dela. A opinião dos outros nunca lhe afetou.
Só que na realidade não era nada disso. No fundo ela era apenas uma menina quase mulher que queria conhecer o mundo e só estava meio perdida.
Ela só queria curtir a noite com os seus amigos e desejava que fossem momentos inesquecíveis. Também queria alguém para compartilhar a beleza daqueles dias e amenizar a solidão daquelas noites.
Durante a viagem, sua família enchendo o saco como sempre, cantando músicas sem noção. Enquanto ela ouvia Pearl Jam bem alto em seu fone.
Ela via árvores e campos, mas nada da cidade chegar.
Até que chegou. Ela era o oposto aquilo tudo. A cidade era ensolarada, alegre e contagiante. Um verdadeiro paraíso particular. Ela era sombria, calada e odiava ser do tipo “oba oba”.
Chegaram na casa na vila em que passariam as férias e ao descer do carro, alguma coisa mudou.
Estava cheio, fazia sol e as pessoas desfilavam por aí em um dia lindo como aquele. Ela usava um vestido preto e fazia questão de não parecer muito simpática.
Foi ajudar seu pai com as malas e notou que todos olhavam para ela. Inclusive, um cara. Ele a encarava. Muito. Ele era o oposto dela: tipo bonitão, sarado, moreno, sorridente, feliz e confortável. “Idiota”, ela pensou ao passar por ele.
Muitos dias se passaram, ela ia emburrada para a praia, parques de diversões e restaurantes. Às vezes ficava trancafiada quando não queria encarar um trio elétrico tocando axé ou então andava sozinha pela praia com Smiths no seu fone.
Um dia voltou mais cedo para a vila e encontrou uma menina sentada na praça. Usava uma blusa rosa e pulseiras como a dela. Ela se sentou e as duas ficaram se encarando um tempo, procurando motivos e coisas para conversar. Até que a outra se apresentou e uma amizade nasceu entre elas. Tinham tanto em comum, ídolos, músicas, filmes e personalidade. Esta lhe apresentou outros, inclusive ele. De quem mantinha distância.
Conversa vai, conversa vem. Muitas coisas ditas. O início de uma amizade entre eles. Eram cinco caras e duas mulheres, uma florzinha, outra com ares de Lara Croft.
Eram risadas, sorvetes, Pitty, System Of a Down, Linkin Park, Cigarros, madrugada, fugida de carros e olhares.
Até que um dia, ela percebeu que ele a olhou diferente. Viu algo nos olhos deles que não soube descrever. Sentiu medo, mas também teve uma sensação muito boa. De aconchego, amor e desejo. E ela sabia que ele também sentia.
Ele sorriu para ela e ela não tinha como não retribuir.
Alguns dias se passaram, as saídas dele para outros lugares a incomodava. E ela nada dizia. Até que um dia, depois de uma longa partida de War, só sobraram os dois. Não deixou de reparar a ironia. Foram deixados sozinhos pelos seus amigos.
Começaram a conversar e o entrosamento era evidente. Os dois nervosos, super atrapalhados e mal sabiam o que fazer. Quando menos pensaram, se beijaram. Um sorriso veio no final.
E foram muitos dias assim. Ela sorria de um jeito que nunca sorriu, conheceu sentimentos e sensações que nunca havia sentido. Gozou da liberdade de uma vida sem frescura.
Era um novo eu que ela tinha encontrado. Talvez não novo, apenas desconhecido.
E com o novo eu dele, se encaixava perfeitamente. Ambos eram de aquário, ele um dia e um ano antes dela. Riram da tremenda coincidência.
Ao lado dele, ela foi muito feliz. E não tinham vergonha alguma de expor o que sentiam um pelo outro na frente de outras pessoas.
Até que as férias acabaram. Eles se despediram e sentiram vontade de falar algo.
“– Fica vai” ou então” – Quando a gente vai se encontrar de novo?”. Só que não disseram.
Dois corações partidos ficaram. Um até logo que significava nunca mais. Nenhum dos dois sabia exatamente o porquê, mas aconteceu.
Ela voltou, era outra pessoa. Ele também. Nunca mais se viram, se esbarraram ou procuraram um ao outro. Foi um daqueles amores de verão que só o carnaval pode proporcionar.
Só que os dois sabem muito bem que aquilo foi uma experiência muito maior que aconteceu para mudar a vida de cada um deles. Eles precisavam se redescobrir e foi através de um com o outro que isso aconteceu.

sábado, 27 de agosto de 2011

Terra das Maravilhas

- Quero sair dessa cidade. Ir para um lugar mais calmo, menos barulhento e mais ensolarado. Ir para um lugar que me aceite como sou e onde possa ser chamada por um codinome, que eu invente se cansar do meu nome. Não há mais nada que me atraia aqui.
Quero ir para a estrada, dirigir sem destino, sentir o vento tocar o meu rosto e ficar maravilhada com a paisagem que passa por mim.
Queria um lugar onde as únicas estações que existam são o verão, outono e a primavera. Quero um lugar onde possa ser verão o ano inteiro e possa andar de pés descalços. Onde possa tomar vários cappuccinos e ler livros sem ter que olhar o relógio.
Quero ir para um lugar onde usar all star, moletom e ter o rosto amarrotado às oito horas da manhã seja considerado sexy. Um lugar onde os homens priorizem mulheres com conteúdo e sejam verdadeiros príncipes para elas.
Quero ir para um lugar onde meus ídolos sejam incríveis e que sejam populares por lá
Desejo um lugar onde seja proibido falar mal dos The Smiths, minha banda favorita e no lanche das cinco seja servido cupcake. Um lugar onde ser fã de rock dos anos oitenta é incrível e que todos que morem por lá me achem estilosa por gostar de moda vintage tipo dos anos cinqüenta e sessenta. Quero um lugar onde seja sempre sexta e sábado, onde não existam domingos e segundas. Um lugar onde possamos ser livres e discutir sobre vida acadêmica. Um lugar que não exista violência, inveja, impunidade, doença, tristeza, depressão, mortes, ataques terroristas, corrupção e impunidade.
Quero um lugar onde o amor more e usar rosa não seja visto como brega. Onde Harry Potter, Pequeno príncipe e Alice nos País das maravilhas seja obrigatório a leitura para todas as crianças. Quero ir para um lugar onde ser fofo não signifique ser otário, ridículo ou piegas.
Um lugar onde as pessoas se amem de verdade e onde os casais de namorados curtam pôr do sol. Um lugar onde tenha a praia mais linda e as pessoas mais bonitas. Um lugar onde todos se respeitem e não exista a idéia de um passar por cima do outro.
Um lugar onde não exista preconceito e liberdade musical e literária seja respeitada. Um lugar onde os sonhos se transformem em realidade, um lugar onde seremos felizes.
É, procuro um lugar assim para mim.







quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Wherever.

" Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem"

Caio Fernando Abreu, divo


Eu queria poder olhar para trás sem medo, sem ressentimento, sem sentir o meu coração ficar menor. Só que continuarei caminhando com todos esses sentimentos ao meu redor. Aconteceram coisas comigo que me fizeram mudar muito. Uma parte de mim disse adeus e sei que nunca mais voltar. Um novo eu se instalou disposto a ficar.
Estou aprendendo aos poucos como um bebê que aprende a andar a perdoar.
Aprender a perdoar é um caminho difícil e às vezes cruel. Para isso, é necessário amadurecer. Só que a estrada para o amadurecimento nem sempre é fácil e convidativa.
Às vezes para amadurecer, passamos por situações desconfortáveis, somos humilhados, sofremos, caímos, levantamos e recomeçamos. Em alguns casos, temos que aprender na marra.
Quantas vezes isso aconteceu em um relacionamento? Com amigos, família, trabalho e professores? São várias as vezes que nos deparamos com situações que não nos fazem bem, mas transitamos para sairmos fortalecidos.
Para perdoar é preciso jogar fora várias coisas que nos fazem mal e não nos acrescenta como o ódio, a raiva, o rancor, a tristeza e a inveja. É preciso reaprender a confiar, ser aberta a novas situações, não ter medo de se jogar e não julgar. Muitas vezes, as pessoas falam como se perdoar fosse algo muito fácil de fazer. Como se de um dia para o outro, se perdoasse alguém.
Dizem que perdoar alivia, mas quem disse que esquecemos? Podemos perdoar, mas isso não significa que iremos esquecer. Não esquecemos tão fácil uma decepção.
Eu que sou uma pessoa muito orgulhosa, do tipo que não consegue passar por cima de certas coisas - como se estivesse em uma estrada andando, uma pedra estivesse em meu caminho e não conseguisse desviar – sei bem como é isso. Sou do tipo que não esquece o que aconteceu e vive com aquela lembrança como um órgão que pertence ao meu corpo.
E para alguém como eu, para perdoar é necessário dar um passo de cada vez, bem devagar. Casa passo bem estudado e cada conquistada comemorada. Tenho que admitir os meus erros também, o que parece mais impossível ainda, como disse anteriormente o orgulho é um dos meus maiores defeitos. Só que orgulho não é bom, não faz bem, atrasa e só piora o relacionamento entre as pessoas. Então, é preciso desapegar.
O medo sempre vai existir, a insegurança também. Uma vez que um parece ser o melhor amigo do outro, mas cabe a nós saber lidar com esses sentimentos e passar por cima deles com classe e atitude.
Se queremos evoluir, temos que deixar para trás tudo o que nos atrasa. O que nos retém e não faz bem. Chega uma hora em que é preciso escolher que caminho percorrer - porque por mais que se decepcione - isso não significa que deverá mudar seu caráter por isso. Ao contrário, isso é só uma prova para nos mostrar o quanto devemos nos fortalecer e sair dessa com um escudo, o maior e melhor a prova de balas.
Eu sou o tipo de pessoa que dá mais uma chance, mas se vejo que será desperdiçada, prefiro me recolher e esquecer tudo o que infelizmente tive de presenciar. Também sou do tipo que já espero determinadas ações vindas de determinadas pessoas, nem é porque quero vê-la errar, mas prefiro já estar preparada para não me decepcionar.
Ver alguém em que tanto confiou e acreditou lhe machucar sem pensar duas vezes é dolorido demais e quando isso acontece, não importa que o que ela tenha feito tenha sido pequeno ou uma barbaridade. O histórico dela vai ficar sujo para sempre, não adianta mudar ou fazer promessas. Nada mais será igual como antes.
Falo isso como alguém que já se machucou muito com amigos, família e amores. Nada é certo nessa vida, mas temos que saber escolher o que realmente queremos. Assumir todo o pacote de dor de cabeça que vem junto e continuar.
Além do mais, sou muito desconfiada. Por mais que diga que acredite, meus pés estarão lá atrás esperando o próximo erro a ser cometido. Acho que seja talvez, apenas uma questão de preservação. De mim, dos meus sentimentos e de todas as conseqüências que tudo pode ter.
Sei que posso parecer bobinha e certinha, mas fiz a minha escolha. Espero não entrar novamente em um círculo vicioso, pois quem erra corre o risco de cometer o mesmo erro mais de uma vez e reviver a situação mais de uma vez. Acredito que quando se erra, aprende e não se comete mais o erro. A dor pode ser uma grande escola.
Deus nos deu livre arbítrio e fiz a minha escolha. Quero ser feliz, colher o bem e sem desrespeitar o limite do próximo. Você tem o poder de escolher, mas tem que assumir o peso da responsabilidade.
Espero que compreendam, no mundo em que vivemos acredito que o perdão é algo essencial e achei interessante abordá-lo, já que é algo com que convivemos diariamente. Fui sincera o máximo que pude e espero que este texto lhe ajude aonde estiver e com quem estiver.

sábado, 20 de agosto de 2011

Que a saudade viva


Para Thaís, uma guerreira


- E se algum dia sentisse saudade?
Daquilo tudo que um dia foi e viveu?
Sentir saudade é fechar os olhos, colocar a mão sobre o peito e sentir seu coração bater aceleradamente. Ela pode doer e ser alegre ou triste.
E quando bater a saudade, procurar fotos antigas, cartas escondidas na caixa de sapato, conversas esquecidas na memória, votos de amizades eternas, nossos livros preferidos, músicas queridas, se recordar daqueles dias tão bonitos, daquelas tardes ensolaradas, beijos atrás da escada e todos os sonhos compartilhados. Tudo para acalmar o seu coração.
A saudade pode vir acompanhada de um aperto no peito, lágrimas, sonhos, sorrisos e felicidade. A saudade me assombra, não de uma forma de sentir medo, mas de sentir carinho, amor e vontade de voltar no tempo, correr atrás de tudo aquilo que foi vivido e inesquecível.
Acontece que o que vivemos um dia virará página virada. Capítulos que fazemos questão de esquecer ou lembrar.
A saudade não é um sentimento que alguém escolhe sentir, justamente porque nem sempre é bom. Ela simplesmente acontece, vem. Um dia você acorda e inexplicavelmente se lembra de algo que lhe traz sentimentos profundos. Fica até tarde na cama, chora, escuta aquela música, olha o sol, aquela tarde linda e promete que tudo voltará a ser como antes.
O homem mais rico do mundo pode sentir saudade e não conseguir mudar isso, porque com a saudade não há dinheiro que compre ou pague. É algo que está acima disso e ninguém sabe exatamente do porque acontecer.
Saudade é uma palavra que existe apenas no português. No inglês se diz “I miss you” que quer dizer, sinto a sua falta, mas sentir falta é sentir saudade?
Não, não é. Você pode sentir falta de alguma pessoa ou de algo um dia, mas não necessariamente sentir saudade dela. Já a saudade sim, vem acompanhada de falta, carência, perda, vazio e afastamento.
Eu sinto saudade de quem eu fui, das roupas que usava, das minhas músicas, do meu jeito de pensar, dos meus amigos, dos passeios que fazíamos, de amigas que se perderam, de confidências, de sonhos, do amor aos livros que dividíamos, das pessoas com quem trabalhei, de alguma amizade desfeita, de algum amor perdido, de alguma pessoa que se foi e infelizmente não poderá voltar.
Geralmente quando sinto saudade é de alguma época boa, gostosa e onde fui muito feliz, mas simples. Onde não exigíamos muito para ser feliz. Era uma época livre de preocupações, medo, cheia de liberdade e onde pensávamos ser felizes para sempre.
Escrevo este texto com a finalidade de poder dividir isto e não deixar a saudade me sufocar e se apossar do meu coração. Porque eu quero sentir saudade, só não quero que ela se transforme em tristeza. Foram épocas boas que vivi, mas quero me lembrar delas com carinho e respeito e não quero sentir raiva se as coisas já não são como antes.
Porque eu sei que mudamos e as coisas ao nosso redor também. O mundo gira e ninguém pode ser a mesma pessoa o tempo todo. Minha filósofa preferida já tinha dito isso quando eu tinha quinze anos e não acreditei.
As nossas memórias ficam para que possamos acessá-las como um filme, onde escolhemos os nossos preferidos e mais odiados. E assim espero que quando sentir saudade, saiba que isso ficará eternizado para sempre. Porque saudade para mim significa eternizar.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Agridoce - BDay (Demo Version)



Vício ♥

Há certas músicas que quando chegam em nossas vidas, nos marcam para sempre. É o caso desta, que faz parte do Projeto paralelo Agridoce da minha cantora favorita Pitty e seu guitarrista Martin. Não deixem de ouvir, eles afirmam ter sido influenciados por Nick Drake. Disso, nem duvido rs.
Há uma mistura de folk com indie, vintage, coisas antigas. Já que ando em um clima assim, resolvi postar para voces!
São esses tipos de música que andam me inspirando a escrever e a escrever mais e mais, á velocidade da luz!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Aprendiz

Ela nunca foi muito de beber, até o dia que resolveu entrar na dança. Só tinha 19 e o mundo era muito grande, como diz Nando Reis naquela fofa canção.
Mesmo sabendo que poderia perder o jogo, ela decidiu se arriscar. Foi pisar pela primeira vez em um bar para descobrir que nunca mais gostaria de sair de lá.
Era todo dia assim: saídas mais tardes, esticadas no barzinho após a faculdade, risadas, amigos, álcool, gatos e tudo o que um ambiente desse tipo pode lhe oferecer.
Nunca imaginou que em um lugar como aquele se sentiria sozinha. Tinha a impressão de que sempre teria a sensação de acolhimento.
E assim se passaram muitos meses, sentia a felicidade pura como a água. Não parecia haver nada mais perfeito. Não sentia falta de nada, se arriscava a dizer isso dos seus antigos amigos e até mesmo da sua família.
Até que um dia a rotina bateu em sua porta. E já estava cansada. Todos os dias era a mesma coisa: o mesmo bar, as mesmas pessoas, o mesmo bafo de álcool e os caras que davam mole sempre. Era sempre tudo a mesma coisa.
Foi então que se sentiu sozinha e pior que isso, vazia.
Quanto tempo não lia um livro? Quanto tempo não escrevia? Quanto tempo não via um filme ou lia um jornal? Cadê as suas amigas da escola e de Minas Gerais, onde passava as férias.
Estava encostada na varanda do bar e olhou para o seu próprio copo.
“- O que aconteceu comigo? Quem eu virei?”
A primeira vista não saberia responder, mas lá no fundo sabia quem era. Era uma ex- menina agora mulher que não foi fiel aos seus princípios e cedeu muito fácil a tudo. Ao mundo. Ela teve vergonha do passado, só que fingir ser quem não é negar a sua essência.
Olhou para todas as pessoas no bar. Quem eram eles? O que eles faziam? Eles faziam isso sempre? Não viviam, trabalhavam, não sonhavam?
Meu deus, quando foi a última vez que sonhei?
Meu deus, eu me perdi. Quem é essa que se apossou de mim?
Ela continuou a olhar todos. Ninguém percebia, ninguém notou que estava angustiada. Todos continuavam a beber, uma hora ou outra sua melhor amiga lhe olhava e dizia “– quero mais um copo”.
Era isso, só isso sempre.
Ela olhou para o seu copo de cerveja, sentiu nojo e jogou no chão. Ele quebrou e todos a olharam. Ela foi embora correndo do bar, sem olhar para trás. Seus colegas gritavam seu nome, mas ela mal se preocupou em se virar.
Correu para a casa, se sentou e resolveu ligar para as suas amigas. Descobriu que Martinha tinha se casado e tido um filho, Paula foi para o Caribe e Joana virou freira. Quanto tempo havia se passado? Qual foi a última vez que se viram? Nove meses, isso mesmo. Quanto tempo!
Como elas puderam fazer tudo isso sem me contar. Decidiu ligar para os seus pais, mas caiu na caixa postal, uma gravação informou que eles foram viajar para comemorar os 25 anos de casamento.
Ah meu deus, meus pais fizeram aniversário de casamento e nem sabia!
Se sentiu perdida. As pessoas que tinha, não estavam mais lá. Mas não porque não queriam, mas porque ela não estava lá antes.
As pessoas mudam, os dias passam e há feridas que o tempo faz questão de curar.
Saiu de casa e foi até a casa de Pedro, seu melhor amigo, por quem tinha uma queda.
- Oi, tia Teresa! – falou com a mãe dele.
- Oh, Maísa! Você por aqui! Quanto tempo!
As duas se cumprimentaram e ela tratou de perguntar:
- Cadê o Pedro?
- Ué, você não soube?
- Soube o quê?
- Ele foi embora do Brasil, foi morar na Espanha com a namorada Chilena dele. Ele não te contou?
Sentiu seu mundo cair. A mãe do Pedro precisou lhe segurar. Quanto tempo não falava com ele? Quantas vezes ele ligou pra ela e ela disse que estava ocupada? Quantas vezes saiu do MSN quando ele entrava? Quantas, ah meu deus! Ela se sentou na cadeira mais próxima, bebeu um copo de água com açúcar e Dona Teresa prometeu ligar para o filho.
Só que ela fez a mãe do Pedro prometer que não iria ligar, logo agora que ele estava tão bem, não iria interferir na felicidade dele. A culpa não era dele, era dela.
Fora ela que fingiu ser uma pessoa que sequer existia. Criou uma ilusão, uma bolha que lhe contaminou, lhe tomou conta e agora seria difícil sair.
Elas se despediram e foi embora sozinha. Sem saber para onde as suas pernas lhe levariam. Tentando se encontrar em algum lugar.

domingo, 14 de agosto de 2011

Um vício


- Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.

Caio Fernando Abreu, Divo ♥

sábado, 13 de agosto de 2011

Amor




Após muitos encontros e desencontros, aqui estamos nós.
5 anos e sete meses de namoro.
Falta pouco para o passo maior.
Eeeee, felicidade
TE AMO

domingo, 7 de agosto de 2011

Rumo ao terceiro período


É amanhã começa tudo outra vez.
Acordar cedo, ônibus lotado, professores exigentes, colas, amigos, risadas, felicidade, carinho, amor, arte, liberdade, teatro, samba, livros, rock’n roll, festas, chopadas, notas baixas, comida do bandejão, café da tia, lágrimas, Biblioteca, Banheiro feminino e nojento, ar puro, santo gramado verde, sorriso, Mangue, felicidade, confidências, união, sonhos.
Enfim, amanhã começam as minhas aulas no meu terceiro período na faculdade de Letras (Português/ Literaturas) na UFRJ. E apesar de tudo, de todo o sofrimento e responsabilidade – eu to feliz da vida – porque foi exatamente isso que escolhi e não me imagino fazendo outra coisa.
Não importa o que as pessoas digam: que irei ganhar mal, vou passar fome, vou morrer dando aula. Não me importo com nada disso, porque é exatamente que isso me faz feliz.
Quando entrei não me imaginava sendo professora, como sabem meu sonho é ser escritora. Só que lá dentro, conheci outro lado da história e foi em uma palestra que vi que não tinha mais jeito.
Eu me arrepiei e decidi que queria sim, ser professora. Eu gosto e não tenha outra coisa que queira mais que isso.
O caminho é longo e tenho uma longa jornada pela frente, e nem acredito que estou livre para aproveitar a UFRJ todinha para mim: as aulas, o estágio, os cursos, as palestras, eventos sociais conhecidos como chopadas e etc...
E espero que esse período ainda seja melhor do que o segundo, que foi muito bom por sinal.
Let's go galera da letras!

Pumpkin Soup - Kate Nash

sábado, 6 de agosto de 2011

O Fim

"Aprende que o tempo não é algo que possa voltar pra trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que lhe tragam flores."


(Shakespeare)


É, foi bom enquanto durou! Já se passou um mês desde que fui demitida do meu trabalho de telemarketing. Sem ressentimento, sem dor, sem traumas. Ao contrário, com alívio sinto que uma nova fase da minha vida começa.
Não sei o que virá pela frente, mas foi melhor assim. Eu já estava farta dessa vida de carregar as duas coisas (faculdade pública + trabalho escravo) sem fôlego algum. Sentia que precisava descansar, ver meus amigos, escrever, ler, desenhar, estudar, namorar, estar com a minha família e conhecer outros lugares.
Fiquei por lá durante um ano e meio. Sentia a vida passar rapidamente, sem ao menos aproveitar nada. Eu me sentia incomodada quando via amigos meus que já tinham se livrado do tal emprego em boas condições.
Não me arrependo de nada. Ter ido trabalhar foi bom, porque não fiquei á toa, aprendi a me virar, amadureci, aprendi muita coisa além de ter ganho uma grana legal.
Telemarketing está longe de ser um ótimo emprego. É um emprego escravo, no qual você se sacrifica muito por pouca coisa. Eu sentia falta de viver e sentia que me sacrificava por porra nenhuma. Foi aí que não vi mais sentido algum e quando começou a atrapalhar na faculdade percebi que era hora de correr dali. Precisava crescer e ali dentro, não tinha oportunidade.
Nesse ramo, eles visam lucro e por mais que você seja o melhor operador, só por faltas e atrasos você perde todo o seu rendimento. Não indico como emprego para ninguém, mas para quem quer aprender, talvez como primeiro emprego vela a pena.
Depois dali passei a dar um puta valor para as pessoas, minha liberdade e a educação com o próximo. Fui muito xingada, maltratada e mal recebida. Por mais que seja profissional, tinha dias que não estava bem e era complicado não levar para o lado pessoal.
Lá, eles não motivavam seus funcionários e faziam de tudo para ferrar com a gente. No fim das contas: fiz poucos e bons amigos. A maioria tinha interesse ou inveja, porque era novinha, a mascote e tinha um futuro promissor na faculdade pública e eles não. Só que essa sou eu e não sinto nem um pouco se isso incomodavam a eles.
Mesmo sendo difícil foi uma experiência que valeu a pena pela bagagem, pelo amadurecimento e aprendi lá o tipo de profissional que NÃO pretendo ser. Realmente foi uma experiência muito intensa.
Ônibus cheio, inveja, papos interessantes, papo maluco, samba, amor, centro da cidade, carnaval. Vou sentir falta de algumas coisas.
Quando recebi a notícia, saí de lá chorando feito bebê, principalmente porque conheci pessoas tão interessantes nas últimas semanas e que quase me fizeram mudar de idéia.
Agora começa uma nova fase. Adeus ATENTO, adeus COMPRA FÁCIL. Sim, eu trabalhava terceirizada no atendimento do Compra Fácil. E nunca, comprem por lá. Okay?
Bem, nunca vou me esquecer da tarde de sábado com nossos lanches maravilhosos, conselhos tão preciosos, histórias de vida e pessoas que amo: Pâmella, Fernando, Gabriella, Eduardo, Fábio, Dirceu, Sílvia, Irene, Adriana, Bya, Bruno, Amanda, Wilson, João, Bê, Priscilla’s, Leandro, Thábata, Luís Vallim, Luana, Raphiusky, Rafael, Edileuza, Letícia, Jô, Natasha, Bruna, Vítor, Bob, Alzira, Juuuuuuuu , Leo, Patrícias, Lorenas, Jocilene, Gleyciane, Lílian, Tati, Tay e tantas outras pessoas que fizeram valer a pena. Obrigada pelos ensinamentos e agora começa uma nova era. Assim eu espero RS.
Enquanto isso, o Momento Lala volta a todo vapor. O que posso dizer é que em posts futuros vocês verão novos textos, crônicas, contos, tudo o que a literatura pode proporcionar. Espero que gostem e não estranhem, mas quero muito que conheço uma nova Juliana que ainda não tive a oportunidade de apresentá-los. Garanto que não irei desapontá-los.
E agora nas férias vou vivendo, me divertindo, amando, vendo filmes, lendo, escrevendo, observando. Tudo o que tenho direto para ser feliz *_*