sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Por quê não o amor?



Durante a minha vida toda, eu sempre pensei que fosse uma pessoa realista e completamente desapegada ao amor. Claro que sempre tive amor com a minha família, amigos e meus animais de estimação. Mas nunca pensei em levar o amor a sério, em uma relação. Sempre imaginei que isso estava muito longe de mim. Eu achava que não iria cair nessa, que nunca me apaixonaria e muito menos iria namorar.
Eu queria ser aquela solteira convicta que estaria em todas as festas, seria a primeira a entrar e a última a sair das baladas. Que andaria com as amigas para lá e para cá, conheceria muitos caras e seria aquele tipo de pessoa inatingível.
Até que eu conheci uma pessoa, mas não alguém comum. Alguém que mexeu com a minha estrutura e falou coisas que jamais tinham me dito. Ele era sonhador, gentil, um cavalheiro. Tínhamos algumas coisas em comum, mas de resto éramos pessoas completamente diferentes. Poderia dizer que ele era a água e eu o vinho.
Depois que ele entrou na minha vida, tudo mudou. As minhas convicções, as minhas teorias de felicidade e aprendi como funciona um relacionamento.
É claro que cada um deve fazer aquilo que quer. Já cheguei à conclusão de que algumas pessoas funcionam bem em romances e outras não. Eu achava que não daria certo, mas quem disse que não aprendi diretinho?
E sabe, eu me vejo muito feliz. Essa coisa de ter alguém que te ame de verdade do jeito que você é, que saiba o que se passa em você sem nem ao menos você dizer o que está sentindo. Sentir só apenas em ouvir a sua voz. Uma pessoa que te conheça como a palma da mão, manual de instruções para ela não existe. Isso não tem preço.
É simplesmente mágico, é algo gostoso. É como cócegas que sentimos dentro da gente, elas têm gosto de algodão doce, arco íris, alegria, dias ensolarados e de morango e borboletas no estômago.
Ter aquela sensação de que é amado é uma das melhores do mundo. Ser feliz nunca é demais, apesar de que sinto que existem pessoas que simplesmente têm vergonha de serem felizes. Parece que é um defeito do ser humano, quando algo está muito bom começar a desconfiar ou então não deixar ficar tudo bem. Tem que ter algo para estragar, um erro. E eu quero combater isso, não existe nenhum problema em ser feliz o tempo todo. É claro, quase nunca conseguimos. Todos nós temos problemas, e sempre vai ser assim. Mas não custa nada, por mais que seja grande o que nos incomoda, termos bom humor e saber lidar com aquilo da melhor maneira possível. Já que foi comprovado de que ser uma pessoa positiva pode nos ajudar, isso nos leva para a frente e nos aprendemos como saber lidar com o que sofremos de um jeito que possa nos salvar.
Eu não quero ver problemas em ser feliz o tempo todo. Deus quer que sejamos felizes, e ao fazer isso só estamos devolvendo aquilo que ele tanto nos quis dar. As coisas, algumas vezes podem não dar certo, mas é como naquela música, que não me lembro muito bem de quem é: se ainda não deu certo foi porque não chegou no final.
E que sejamos felizes, dando espaço para o amor, a verdadeira amizade, aquilo que nos levita e purifica a alma. Porque não há nada melhor do que essa sensação de felicidade que transborda pelo peito.

sábado, 22 de outubro de 2011

Paraíso



Quando ela era apenas uma garota
Ela tinha expectativas com o mundo
Mas isso voou além de seu alcance
Então ela fugiu em seu sono

E sonhou com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Toda vez que ela fechava os olhos

Ooohh

Quando ela era apenas uma garota
Ela tinha expectativas com o mundo
Mas isso voou além de seu alcance
E balas foram pegas com seus dentes

A vida continua
Fica tão pesada
A roda corrompe a borboleta
Cada lágrima, uma cachoeira
Na noite, na noite da tempestade
Ela fechou os olhos
Na noite
Na noite da tempestade
Ela voou para longe

E sonhou com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

Ela sonhou com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

La-la-la-la-la

Ainda deitada debaixo do céu tempestuoso
Ela disse oh-oh-oh-oh-oh-oh
Eu sei que o sol está pronto para nascer

Isso poderia ser o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Isso poderia ser o para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

Ooohh, oohh ...



Um dia eu sonhei e saiu este texto, um dos meus preferidos

Depois de algumas tempestades no Rio de Janeiro e tardes nubladas, aqui estou eu com os pés no chão, mais firmes e fortes do que nunca. Foram necessários muitas lágrimas, muita dor para poder entender tudo que passei até agora. Só que não sou nem a primeira e nem a última a passar por isso. Já dizia um ditado Budista: "Para crescer, é necessário sofrer" . Eu mudei, cresci e cheguei e conclusão de que aquela que fui, vai sempre viver dentro de mim. Só que mais do que nunca, eu precisava muito de uma mudança na minha vida. Mudanças são bem vindas, principalmente aquelas que trazem tanta coisa boa para a nossa vida. Não é que o meu eu antigo esteja errado, não. Eu só precisava me adaptar, foi aí que surgiu o meu novo eu. Muito mais disposto e renovado. Quase uma outra pessoa. E eu consegui.
E neste momento, mais do que nunca os meus sonhos estão vivos dentro de mim - afinal são eles que me movem e fazem cada fibra do meu ser se eletrizar de felicidade- o intercâmbio para a Califórnia, escrever um livro, plantar uma árvore e formar uma família. Agora, mais do que nunca, vou correr atrás dos meus sonhos e ainda tem tanta coisa que quero aprender - tem o surf, a faculdade de moda e aquela vontade de voltar a ser modelo.
E um dia irei encontrar alguém que curte as mesmas coisas e tenha um espírito livre como eu. Um dia. Alguém que não me ache louca, porque quero assistir um pôr do sol na praia. Alguém que quando eu convide para um piquenique, apenas responda que sim. Alguém que seja completamente distante de convenções e esteja muito mais próximo das sensações.
Alguém que ame as pequenas coisas da vida, que ria de mim, que entenda por eu chorar com uma facilidade imensa e ser tão emotiva. Alguém que viva o momento, porque sabe que o que me importa é o agora.
Sim, podes me achar uma grande aventureira. Só que eu sei disso e essa é a minha natureza, não posso mudar isso. É engraçado que logo agora fechando um ciclo na minha vida, eu tenha descoberto qual a tatuagem que irei fazer. É simplesmente a minha cara, o que eu tanto busco: a liberdade.
Só que eu acordei e descobri que tudo não passava de um sonho. Mas por que não levá-lo para a vida real? Agora o que me resta é seguir em frente com o melhor sorriso no rosto.


Coldplay - Paradise

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A encantadora *


Há muito tempo em um reino muito distante, uma princesa era desejada por todos da corte. Ela além de linda, era bondosa e muito aplicada. Desde que nasceu era prometida há um príncipe que nunca tinha visto. O que ninguém esperava, era que a Princesa tão conhecida pelo seu comportamento submisso fosse muito contra isso. Podemos dizer, que ela era uma jovem um tanto moderna para a sua época, seus costumes e seu reino.
Um dia, um caçador chegou ao reino. Ele era diferente dos homens da região. Era um forasteiro, tinha olhos negros como os de um lobo, tinha um corpo musculoso e olhos que faziam queimar. Era selvagem, desencanado e charmoso. E a partir do momento em que pôs os pés no Reino, não tardou para que todas as mulheres ficassem de olho nele.
Todas queriam saber quem ele era, de onde veio e se estava comprometido com alguém. O tal caçador era um homem de poucas palavras, muitos olhares e bastante mistério. Não bastasse isso, poderia ser considerado um tanto "bad boy" para aquela época.
Passou - se um tempo, ele procurou trabalho e conheceu um ferreiro. Que lhe ofereceu emprego e estadia. Foram poucas palavras e ficaram amigos. O tal ferreiro era um homem de meia idade, casado e com filhos. Era o único para quem ele contou tudo sobre a sua vida.
Enquanto isso, a princesa estava um tanto entediada no Reino. Não havia muito coisa a se fazer, o tal príncipe vivia mandando cartas para ela. A princesa no entanto não sentia nada por ele e preferia estar na rua com a população que sempre tinha boas histórias para contar.
Ela não sabia exatamente o que se passava com ela, mas sentia falta de um romance que tirasse o seu fôlego e lhe deixasse nas alturas. Não precisava ser perfeito, bastava apenas ser completo.
Um dia, o caçador um tanto cansado de lhe empurrarem mulheres contou a sua história de amor para o seu amigo ferreiro. Ele havia se comprometido a uma mulher, que infelizmente havia partido e lhe deixado sozinho. Fora por isso, que ele foi embora do lugar que veio. Queria se afastar das memórias, já havia se passado tanto tempo e sofria muito com tudo que tinha se passado.
Então, um belo dia, uma feliz coincidência do destino fez com que eles - o caçador e o ferreiro - fossem realizar trabalhos para o rei em seu castelo. Ele pagaria bem e os rapazes estavam bastante empolgados.
Eles partiram bem cedo, fazia um dia bem bonito, com um pôr de sol incrível e a princesa desde que acordou, não conseguia parar quieta. As Governantas e as criadas estranhavam o seu jeito, mas cansada de perguntas, ela fora andar pelo jardim.
Era cerca do meia dia, e só restava o caçador e o ferreiro cuidando do jardim. A Princesa não sabia que havia homens trabalhando por lá e eles nem imaginavam que ela estava tão perto. Então o olhar da Princesa encontrou o do caçador, e o mundo não era o mesmo depois disso.
Amor, paixão, desejo, cobiça. Eram tantos sentimentos que os dois ficaram um tempo se encarando, até que foram interrompidos pelo Ferreiro.
- O que é homem, o que se passa contigo?
Ele se virou, viu a princesa e ficou um tanto intrigado com aquela cena:
- Bom dia Princesa!
- Bom dia! - e rapidamente, ela partiu completamente perdida e um tanto confusa.
Eles foram embora, mas o caçador mal ouvia o que o ferreiro dizia. A princesa em seus aposentos não conseguia se esquecer daquele olhar tão intrigante que tomou conta de suas visões.
- Está tudo bem princesa? está um tanto quieta!
- Estou ótima Julieta. - ela respondeu a criada.
Ela encostou na janela e imaginou quem seria ele, de onde viria e se era casado ou não. Ela já tinha conhecido muitos príncipes, mas nenhum homem como aquele.
Na primeira noite, a princesa e o caçador não conseguiam dormir direito e comer. Tão anciosos e mordidos pelo bicho do amor.
Então, algumas semanas depois, eles tiveram que voltar para fazer o serviço. O sorriso estava estampado no rosto do lindo caçador.
A princesa ouviu dizer que ele retornaria, colocou o seu melhor vestido e correu para fora.
E assim que se viram, queriam esconder a felicidade de um do outro, mas já era impossível evitar, pois o coração de ambos parecia se romper.
De início não se falaram, eles se encaravam muito. Ela não entendia aquele modo dele de ser. Tão bruto, tão selvagem. tão obscuro, tão sombrio. E ele não consegia entender como uma princesa tão refinada, tão requisitada e linda havia visto nele, mas a atração era inevitável.
Eles não conseguiram acabar o trabalho no jardim e teriam que retornar depois. Um dia, o ferreiro não pode ir, ele foi só e espiou a princesa no jardim. Eles ficavam se encarando um tempo. A princesa parecia gostar e ficava um tanto receosa.
- O que você tem caçador?
- Por que princesa?
- Não consigo tirar os olhos de você desde que vi. Já conheci tantos homens, mas nenhum como você.
- E eu não consigo parar de pensar em você. - Ele se aproximou dela e disse - Tens os olhos mais lindos que já vi, estou rendido a você.
Ela sorriu, de um jeito tão carinhoso e irresistível que o caçador não resistiu e beijou a princesa. Ela sem ligar para os outros, retribuíu. Seu coração irradiou, queimou, brilhou. Não havia sentido nada assim antes, apesar de ser um tanto moderna.
Depois de alguns dias, eles continuavam a se encontrar. Para todo mundo de fora, eles não se conheciam. Mas para quem notasse os olhares que rolavam de um para o outro, diria que havia muito mais em jogo.
Então um dia, a Princesa ficou sabendo que o príncipe chegaria para anunciar o maldito casamento. Sem pensar duas vezes, ela ofereceu ao caçador uma fuga para bem longe, pois o romance entre eles nunca seria aceito pelo seus pais e a corte.
Uma madrugada antes, ela escreveu uma carta e arrumou suas coisas. No dia seguinte, ela fugiu com o caçador e se entregou ao amor sem pensar duas vezes. E os dois foram felizes para sempre.

* O título foi inspirado em uma personagem do livro "O herdeiro guerreiro" que conta a história de um mundo mágico dividido por ordens que são dominadas por leis assinadas por Magos. Entre os outros povos mágicos se destacam os guerreiros e encantadores. Estes últimos são caracterizados por serem dotados de uma beleza esplêndida e possuírem uma presença forte capaz de hipnotizar. Sendo eles, os meus preferidos, que mais me identifico e para quem fiz esta pequena homenagem. Este conto também foi inspirado no livro "Sussurro" de Becca Fitzpatric, um dos meus livros preferidos.


Para ler ouvindo:

iConcerts - Pixies - Where Is My Mind (live)

sábado, 15 de outubro de 2011

Dois pássaros livres




Um conto perdido no fundo do meu computador

Quando você se foi, eu era outra pessoa.
Eu usava preto, era anti social, ouvia rock trash e não sorria. Tanta coisa mudou desde que você partiu. Fiquei sabendo por amigos comuns que a sua vida também é outra, normal, afinal já se passaram alguns anos desde que nos vimos pela última vez.
Agora eu uso batom vermelho, salto alto, sou a simpatia em pessoa, falo alto, tenho lugar cativo nas baladas, uso vestidos floridos tomara que caia e bebo. Ouço reggae e aquelas bandinhas que odiava. Descobri os surfistas, minha estação preferida é o verão, gosto de samba e sol. Quem diria né?
Talvez eu só precisasse passar por algumas coisas na vida para me descobrir. Hoje eu só quero viver o agora, aproveitar cada segundo.
Arrisco a dizer que tem ódio de mim, mas não é a minha culpa se a sua namorada te largou depois que descobriu que tínhamos um caso. Você acha que fui quem destruiu os seus planos, mas está enganado.
Não é a minha culpa se você não apagou as mensagens que mandei para o seu celular e ela viu, não é minha culpa que tenha salvado o histórico do msn e ela tenha lido. Quem marcou bobeira foi você.
O mais louco disso tudo é que nunca te quis pra mim. Sempre soube separar o que vivemos como uma grande e bela aventura, uma paixão daquelas de tirar o fôlego. Então não é a minha culpa se você confundiu tudo. Eu nunca pedi para você largar aquela que daria uma perfeita esposa e você se dizia apaixonado. Eu sempre soube que você era sinal de encrenca, por isso não me permiti apaixonar.
Eu sei, não mandamos no coração, mas sabe eu me permiti apenas a viver o momento contigo. Quando você dizia que tinha que ir vê-la, atendia ao telefone longe de mim ou desmarcava para ficar com ela, eu nunca reclamei, sempre soube que seria assim.
Aliás, eu sempre achei que vocês faziam um belo par. É engraçado dizer, mas torcia por vocês e lamentei muito quando acabou.
Se me sinto culpada? Não, não mesmo. Quem me procurou foi você. Desde o dia em que nos conhecemos, eu vi que você não conseguia tirar os olhos de mim. Eu tentei não me deixar cair e quando descobri que você tinha namorada, fiquei ainda mais chocada.
Só que depois pensei, eu não queria nada sério, só precisava viver uma aventura e você me caiu como uma luva.
Eu me obriguei a não sentir a sua falta e nem gostar de você. Era arriscado demais e em tão pouco tempo juntos, você começou a deixar a sua namorada de lado. Viajava sem motivo e sem ela, se distanciou, ignorou. Eu chamei a sua atenção, “- Olha, não é assim que se faz. Você irá perdê-la". E não deu outra né?
Hoje em dia, ela está bem, casada com um italiano, eles têm um filho lindo e ela é minha amiga. É sim, você leu isso mesmo. Engraçado como a vida é?!
Me lembro como se fosse hoje, tudo o que vivemos ficou gravado na minha mente. Assim que ela viu as mensagens, ela ligou para o meu número. Como eu não sabia quem era, atendi:
- Alô? Você é a Vivian?
- Oi, sou eu sim. Quem é?
- É você que está tendo um caso com o meu namorado?
- O quê?
- Com o Caio?
- Ah, eu sou amiga dele.
- Vi bem pelas mensagens que é amiga dele!
- Sou sim.
- Me fala, o que você tem com ele?
- Acho melhor perguntar para ele. Não sou eu quem irá te dizer isso. - e desliguei. Ela insistiu, mas não a atendi. Não seria eu quem lhe diria a verdade, seria você.
Depois disso, nos afastamos. Você achando que eu tinha posto tudo a perder e eu tratei de acabar com tudo, não fui eu a culpada.
Quem quis namorar comigo e largá-la, foi você. Eu nunca te pedi isso, eu sabia meu lugar e te encarava apenas como uma aventura. Foi você quem pôs tudo a perder.
Logo depois, fiquei sabendo que ela te perdoou. Ao invés de você aproveitar a segunda chance, não, você a desperdiçou. Foi aí que você acabou de vez com o namoro. Você parou de conquistá-la, estava distante e frio. Ela se cansou e acabou. Me disseram que foi por causa de mim, com quem queria estar.
Alguns anos depois, ela me parou na rua. Ela tinha descoberto tudo sobre mim, ela sabia quem eu era, onde morava e como me achar. Só que ao invés de me destratar, ela logo disse:
- Muito bom te conhecer, o que você e Caio fizeram comigo foi horrível, mas aprendi muito com isso. Você me livrou de uma! Ele não era nada daquilo que eu pensava!
Contei a ela que lamentava, que apesar de tudo torcia por vocês e achava que seria um caso e nada mais. Ela não me destratou e nem me olhou feio. Depois de muita conversa e esclarecimento, nos tornamos amigas, de verdade. Hoje ela está feliz e sou madrinha do filho dela.
O laço entre nós é muito forte e todas às vezes que ela me ouve falar, ela diz a mesma coisa:
- Como pode! Você é a versão masculina dele. São tão parecidos, tem o mesmo gosto, a mesma opinião e o mesmo estilo de vida. Não é a toa que tiveram um caso.
E todos os nossos amigos dizem isso, isso me faz rir. Eu sempre senti isso, que você era a única pessoa que me compreendia por completo. Temos o espírito livre e a fome de viver. Era uma sintonia perfeita e o que mais sinto falta é das conversas que tínhamos. Era tanto em comum. Eu tinha a sensação de que você era a única pessoa no mundo que me entendia. Nós somos dois pássaros livres.
Agora eu estou com uma pessoa que me faz feliz como nunca imaginei. Mas caso, se um dia não der certo e eu estiver sozinha, torço muito para que um dia nos encontremos em qualquer esquina, num acaso daqueles de deixar os joelhos tremendo.
E quem sabe, deixar o destino tomar as rédeas para ver o que acontece. E sabe, não vejo a hora de te ver.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A kilômetros daqui



Frágil - você tem tanta vontade chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. (...) Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parada atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu



O que fazer quando sente necessidade de viajar, conhecer outro lugar, respirar outros ares e ver o pôr do sol sob outro ângulo, outra visão?
Um lugar onde ninguém te conheça e tudo sobre você seja novidade. Onde ninguém te rotule e ninguém saiba quem é você.
Para onde você for, as pessoas vão querer saber tudo sobre a sua vida: onde estudou, como são os seus pais, que música gosta e qual a sua comida favorita. Onde ninguém saiba por onde andou, onde esteve e o que fez. E que possas esquecer tudo o que foi vivido. Simplesmente dar um tempo.
Você vai gostar de contar tudo de novo, sem medo de ser analisada ou julgada. Lá, poderá se animar com as pessoas, os lugares, as músicas. Começar tudo outra vez. Ter a possibilidade de viver uma vida diferente. Poderá conhecer novas pessoas e curtir cada momento e fazer tudo diferente.
Um lugar onde poderá ser feliz novamente e descansar daquilo que chama de lar. Apagar o que não lhe faz bem, esquecer quem te fez mal e pensar em coisas que possa te levar para frente. Ter a vontade de fazer planos e poder sonhar outra vez. Não se lembrar de brigas e do que te incomoda. Se afastar deste mundo por um tempo, sentir falta também faz bem.
Irá tirar fotos, fazer amizades para a vida toda, experimentar comidas diferentes, viver aventuras inesquecíveis e quando tiver que voltar, vai querer ficar, a partida vai doer, mas terá que voltar e a saudade irá escolher teu peito como morada.
Um lugar onde só tenha lembranças boas e não tenha vergonha do que viveu. E tudo o que viver, terá valido a pena.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sem armadura



Abre os teus armários eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços castos
Cobre a culpa vã ... até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca mais

Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão
Nesta espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais.


Casa pré - fabricada = Los Hermanos.


Me deixa ir.
Aqui de cara limpa, peito aberto, sem palavras falsas e mais sincera do que nunca, te digo: eu preciso seguir em frente, conhecer novos lugares e pessoas que me façam pensar em outras coisas.
Tenho que virar a página, sair dessa minha prisão que é você. Experimentar aquilo que ainda não tive a curiosidade de ter.
Acontece que, depois de tudo o que passamos, eu mudei muito. Não sei se foi para pior ou melhor, mas eu me tornei meu porto seguro. Eu sou o essencial, aprendi a ser tudo para mim, ocupei o primeiro lugar.
Você me magoou tanto, me machucou de uma forma que aquela outra parte de mim morreu. E era uma parte que eu gostava tanto, me fazia tão feliz. Queria que aquela menina tão idealista voltasse outra vez. Mas ela não volta.
E desde que você se foi e voltou, aprendi a me tornar uma pessoa mais fria e vazia, mais resistente e egoísta. Encontrei consolo em algumas doses de cerveja e músicas completamente ruins. Não sei se isso é bom ou ruim, mas essa é uma parte minha que existe e nem tem como evitar. Essa parte é cheia de si, superficial, realista e só quer saber de usar pessoas. E essa parte me dá medo, porque não sou assim. Pelo menos não era.
Apenas você me conhece melhor do que ninguém. Sabe de cor os livros que mais gosto, as músicas favoritas e filmes prediletos. Para você, não preciso mentir. Ou melhor, não tenho como. Você sabe quando falo a verdade e quando estou omitindo. Eu sou um livro aberto, transparente. Só você me lê como eu sou, conhece os meus defeitos e minhas qualidades. Sabe o porquê das minhas bochechas ficarem vermelhas e o que o meu olhar inquisitivo quer dizer. Não é preciso tradução, nossos olhares se entendem e o resto, a gente deixa para a química resolver.
Sabe, tenho medo de me entregar e me envolver, de deixar meu coração frágil em tuas mãos e me ferir de novo. Porque se você se for novamente, nunca mais irei acreditar em ninguém. Muito menos no amor, que foi só por causa de você que passei a acreditar.
E tenho medo e uma insegurança, parece que elas andam juntas e fazem questão de me torturar. Uma parte de mim quer viver, se permitir deixar levar e continuar sem olhar para trás. E uma outra parte, está tão presa ao passado e sofre tanto com os possíveis “e se”. Mas ninguém vive de se, é isso o que tento me convencer. Abro os meus olhos pra não deixar a minha felicidade passar.
Só que foi com você que conheci a felicidade. Se não tivesse entrado na minha vida, não sei exatamente te responder aonde estaria agora. Podem ser tantas respostas e nenhuma delas me interessa. Você me transformou em uma daquelas pessoas que um dia, disse que nunca seria. Uma pessoa feliz, com um sorriso estampado no rosto, com roupas que disse nunca usar, ouvindo músicas que odiava e sonhando em formar uma família como naqueles comercias de margarina. E posso te confessar, você me faz uma mulher muito feliz. Why?
Porque você me ensinou a ser feliz, me ensinou a me entregar. Conheci uma vida que nunca me permiti sonhar. E quando meu coração estava sob o seu domínio, me deixou. Sozinha, distante e infeliz.
E aprendi tanto durante esse tempo. Minha vida se divide em antes e depois disso. Por uma parte, foi horrível. Eu me vi infeliz, com medo e desistindo de todos os meus sonhos, porque todos eles me lembravam você. E por outro lado, foi revigorante. Eu vivi coisas que ao seu lado não podia, aprendi a me olhar no espelho de verdade e te encarar como apenas um simples mortal. Eu duvidei de você, como podia eu amar tanto alguém, que me fazia tanto sofrer. E a dúvida, me fez ter certeza do que queria. E descobri ser você. E acima de tudo, aprendi a parar de me preocupar com o ontem e com o amanhã. Passei a dar um valor absurdo para o agora. Passei a ter uma fome incrível de viver o momento, sentir e aproveitar tudo o que tenho direito, afinal só se vive uma vez. Você acha que já não te amo como antes, se isso for verdade é apenas conseqüência dos teus erros. Tu me conhece bem e sabe o quanto sou medrosa e como estou receosa. Conhece os sentimentos que moram no meu coração.
Nós nos damos tão bem. Nossos sonhos se completam, a nossa química e sintonia vão além dos beijos. O nosso amor é mais que completo, é exato.
Ainda há o medo de me entregar por completo, sofrer de novo e ver o rosto das pessoas dizendo " - Não disse? " e às vezes penso no que daria se eu pulasse do barco agora. Só que para mim, não vale a pena cair no mar. Posso conhecer outros homens, sentir outros abraços e beijar outras bocas. Mas com todos eles, estarei pensando em você. Em como me faz sentir feliz, apaixonada, flutuando, sonhando e desejando.
Com todos os outros, não vai chegar aos pés do que senti com você. Um amor como o nosso só se vive uma vez. E eu sei que não vou encontrar ninguém como você, Deus quando te fez jogou a forma fora. Eu posso até chegar perto, mas não existe ninguém no mundo como você. E olha, que já conheci tantas pessoas antes de te ter só para mim.
Eu nunca havia amado desse jeito e o medo de te perder vai sempre existir, só espero passar por cima disso. E depois de todas essas tempestades, nossos dias são tão cheios de arco - íris, digno de pinturas em quadros. Só quero você o tanto você quer a mim. É, acho que vale a pena. Então, eu te entrego o meu coração, mas faz favor de cuidá-lo e tratá-lo bem?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Encontros e desencontros


Este conto foi escrito em 2008, fiz algumas revisões, mas preferi manter algumas coisas. É bom saber o quanto mudamos.



Caminhei ansiosa pelo apartamento.
Começara a me vestir há mais ou menos duas horas. Tantos planos que se foram feio fumaça.
Me libertei de tudo, do mundo só para estar com ele. Essa noite seria nossa, a noite dos dias dos namorados. Já namorávamos havia três anos, mas só agora, na nossa terceira data juntos é que comemoraríamos. Tudo porque meu avô faz aniversário neste dia e nessa data estava sempre com a família. Este ano seria diferente. Iríamos fazer um programa, no auge da nossa liberdade conquistada.
Em cima da hora tudo mudou. Mudaram o horário dele e ele me falou que não sabia como seria o dia dos namorados. Só um dia antes ele me avisou que talvez não rolasse.
Aquilo me desanimou, me desmontou. Eu havia feito tantos planos. Economizei uma grana, comprei seu presente, sonhei tanto com isso e para a minha primeira grande surpresa foi para os ares (ele sempre descobria as surpresas que programava, era o dom dele).
Me sentei na cadeira de balanço da sala e desabei loucamente. As lágrimas derretiam sob os meus olhos vermelhos e martelava a minha cabeça. Me sentia fracassada.
Estava pronta há uma hora e nenhuma ligação. Mandei mensagens e nem ao menos me respondeu. Ele devia estar bem, enquanto eu estava lá com raiva dele.
Fazia um frio enorme. Enrolei o pé com edredom que peguei no quarto. Meias não bastavam. Eu corri e lutei por ele - pensei- enquanto ele, nada...
Qualquer pessoa fria e calculista me olharia e diria:
-“ Trabalho é trabalho, não se pode fazer nada! ”
-“ Você tem que entender! ”
Mas ele não é casado com o seu trabalho. Foi a mim que ele escolheu não é?!
Lá fora, havia o frio e namorados nas filas das pizzarias, cinemas e teatros esbanjando seus amores. Enquanto eu esperava alguém que não chegava.
Me levantei e olhei pela janela. Ruas iluminadas e agitadas. Eu sozinha. Liguei a TV e a MTV passava a programação dos dias dos namorados. Doeu, chorei novamente sem fim.
Fui para a cozinha, na esperança de comer algo, mas não estava com fome. Minha cabeça só pensava na pizza apaixonada que não comeria esta noite. Nossa comida preferida.
Eu não iria mais ligar para ele. Orgulho é algo que gente tem e foi feito para usar. Queria ligar para alguma amiga. Podia ser a Ana que está solteira ou a Luísa que começou a namorar. Mas a vergonha me impedia, não queria que minhas amigas me tratassem como coitadinha.
Mais um dia dos namorados passando em casa e nem ao menos comemorando o aniversário do meu avô.

sábado, 1 de outubro de 2011

Um brinde à vida

"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"


Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond

A minha história só está começando *_* ♥



Moses - Coldplay