quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Balanço 2011


Sei que todos estão esperando mais um capítulo da história O Desafio. Informo que a partir da semana que vem postarei normalmente, mas agora preciso muito postar este texto que visa fazer um balanço da minha vida em 2011.
E claro, não podia faltar vocês! ;D
Mais um ano chega ao fim, vejo correntes no facebook e outros sites passando a seguinte mensagem "Que 2012 seja diferente". Sim, honestamente também espero, só que mais do que nunca, espero que eu mude também.
Se tivesse que resumir 2011 em uma palavra eu diria: diferente.
Fiz planos, sonhei, amei, sofri, caí, levantei e aprendi muito. Amadureci, caminhei, chorei, fiz novos amigos, desfiz amigos, fui demitida,estudei, larguei uma matéria, pude viver um sonho e agora começo uma nova etapa na minha vida.
Em 2011 aconteceu tudo que não esperava. Digamos que o poder de muitas coisas saiu da minha mão, eu não queria, mas assim foi feito.
Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo outro vez. Apesar de ter não ter as rédeas de muita coisa em minhas mãos, aprendi que era assim que deveria ser.
Ao mesmo tempo em que 2011 foi muito bom, também foi muito ruim. Perdi um amigo de infância que se foi e sei que está em um lugar muito bom olhando por mim e por todos que o amam. Me decepcionei com pessoas que não esperava e cometi erros, mas também erraram muito comigo. Eu aprendi que amigos vem e vão, mas que a gente pode SIM ser feliz sozinho e ser independente. Comecei o projeto "Novos Escritores" que estava engavetado há anos e em 2012 ele virá cheio de novidades!
Aprendi a me amar em primeiro lugar e pensar em mim antes de todo mundo. Pensei em desistir do sonho de escritora, mas vocês, o blog e meus amigos me mostraram que este é o meu sonho e não posso desistir. Eu nasci pra isso e ponto final.
No momento escrevo o meu livro que espero terminar no início em 2012. Ele é um dos meus sonhos e sei que terminá-lo, vai ser uma das maiores realizações da minha vida *_*
Então desejo a todos vocês um BIG 2012 com muita paz e saúde. Cheio de realizações, felicidades, sorrisos, planos e MUITOS sonhos. Parece clichê, mas sonhar nunca é demais. E realizá-los e melhor ainda!
Muito amor, muita literatura, muito rosa enfim, vamos desejar todas as coisas boas do mundo, porque merecemos!
E obrigada a cada um de vocês. A cada dia fico mais feliz, por ver tanta gente comentando, seguindo e se identificando. O Momento Lala mudou muito, ficou de uma forma que eu não esperava, tomou rumos que não imaginava e isso me deixa mais contente. É bom ter surpresas. E 2012 ele voltará a todo vapor.
Sem esquecer que aprendi que nem sempre fazer planos dá certo, é bom de vez em quando ser surpreendida!
Feliz 2012 galera!

E semana que vem, Anne estará de volta ;D

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"A escuridão dos sonhos" - Parte II do O Desafio


Anne acordou. Teve a sensação de ter tido um sonho estranho.
- Que bizarro! Até parecia verdade - ela disse abrindo os olhos. Se sentia cansada e fez seu ritual comum como os de todas as manhãs. Se levantou e foi até o banheiro. Se olhou no espelho e gritou.
- Meu deus, não é possível. Não é mesmo! - disse nervosa.
Se olhou e constatou que ainda estava com o vestido emprestado de Nancy e a maquiagem. Então a noite passada não tinha sido apenas um sonho.
Imediatamente, ela ligou para Nancy:
- Nancy?
- Até que enfim! Pode me explicar, por que não honrou seu juramento? Agora vai ter que fazer todas as minhas provas até o fim do ano. Tô com mais raiva de você, porque fui até aí e você não me esperou.
Anne mal conseguia respirar, suas mãos tremiam e tinha medo de contar a amiga.
- Espere aí, eu fiquei te esperando até tarde e você não apareceu. O que aconteceu? Você pode me explicar?
- Eu falei! Te mandei uma mensagem. Você recebeu né? Então, tive que enrolar meus coroas que queriam tirar o atraso deles como pais ontem à noite. Cheguei atrasada e você não estava me esperando. Como eu já esperava, a mocinha estava no décimo sono.
Ela nem ligava que Nancy tirasse uma, ou várias com a cara dela. Só queria saber se a amiga notou alguma coisa diferente ou estranho igual ao que ela viu.
- Que horas você veio?
- Quase uma hora - ela riu. - Eu já sabia que isso ia acontecer.
Anne encarava incrédula o telefone.
- Será que fiquei maluca? - ela se perguntou.
- Então, pronta? Não se esqueça temos uma provinha hoje.
- Tudo bem, vou me arrumar.
- Se arrumar? Anne Jonnes, o que diabos está acontecendo com a senhorita? Faltam meia hora para estarmos linda e bela na aula, estou indo já pra aí.
- Okay, vou me arrumar rápido. - desligou na cara da amiga e correu em disparada para o banho.
Ela colocou um jeans folgado e penteou os cabelos. Não era o seu melhor dia. Seus pais já tinham ido trabalhar, ela pegou uma torrada e comeu a caminho da escola.
- Até que enfim a senhorita chegou, vamos chegar atrasada para a aula - Nancy falou.
- Todo mundo tem um dia ruim, Nancy. - ela comentou ao chegar no ponto de encontro de sempre entre ela e a amiga.
- Aconteceu algo, quer desabafar?
Por alguns minutos, pensou em dizer. Por fim decidiu que não.

- Estou com sono, é só isso.

Naquele dia não estudou, não arrumou a casa. Ficou o dia inteiro na internet procurando algo que pudesse saciar as perguntas dentro da sua cabeça. Por fim achou que estivesse ficando maluca. Começou a escurecer e ficou com medo.
Ouviu um barulho na porta, mas eram só os seus pais chegando do trabalho:

- Boa noite querida filha.
- Boa noite mãe.
- E então filha, como seu dia?
- Ótimo pai. – torceu para ele não desvendar seu sorriso amarelo.

Eles jantaram juntos e nada aconteceu. Seus pais estavam tranquilos e não pareciam ter presenciado nada.

- Então não foram eles que me buscaram lá fora.

Ela sentiu medo e não sabia se chorava ou ria por isso. Se ela contasse algo a eles, concerteza tomaria uma dura daquelas.

Decidiu dormir. Se sentia cansada e caiu no sono muito rápido. E assim que fechou os olhos, foi tomada por uma escuridão.

Anne estava andando na floresta ao lado da sua casa. Ela parecia ter saído da cama no meio da noite, usava suas roupas de dormir. Estava descalça e seus pés tocavam o chão. Era noite e só se ouvia barulhos de animais. Muitos uivos e seu coração disparou.

De novo

Ouviu passos, esmagar das folhas, uma ventania forte. Se virou e então o viu caminhando em sua frente.

Era um homem. Ele não era muito alto e usava roupas escuras. Devia ser só alguns anos mais velho que ela. Não se podia ver o rosto dele, mas ele estava com um sobretudo que impedia de analisá-lo.

Ele olhou para ela e então Anne pode ver os olhos mais escuros que já viu na vida.

Então ela acordou. Seu relógio começou a apitar. Era duas da madrugada. Se sentou na cama, suada e com medo. Ela ficou assim o resto da noite, acordada sem entender. E assim este mesmo sonho se repetiu durante sete noites.
Seus amigos começaram a notar as olheiras e o modo como Anne se comportava. Diziam que algo parecia ter tirado a energia dela.

Um dia, sem ter mais o que argumentar, contou uma parte do segredo a Nancy, quando ela perguntou o que estava acontecendo.

- Estou tendo pesadelos e eles têm tirado o meu sono.

- Vou falar com a minha mãe. Ela conhece um chá tiro e queda que pode resolver isso.

A mãe de Nancy conhecia todas as ervas e receitas para curar todos os males que se possa imaginar.

- Obrigada amiga.

Durantes esses dias, Anne pesquisava na internet e nada. Nenhuma informação, afinal ela nem sabia ao menos o que procurar. Ficava acordada, sentada em sua janela olhando a noite. Não foi mais perturbada por nenhum barulho, mas em compensação em seus sonhos...

O homem dos olhos negros vinha lhe visitar todo dia. Ele lhe dava medo e no sonho da sétima noite, ele partiu pra cima dela. Ela gritou e acordou.

No dia seguinte no café da manhã, sua mãe lhe falou:

- Minha filha, você está tão abatida!

- São as provas mãe que me deixam assim. – ela contou.

- Minha filha, fique tranquila! É inteligente e conseguirá passar – comentou seu pai.

Ela foi para a escola e tratou de passar maquiagem para esconder o aspecto vampiresco que se encontrava. Era um dia de sol, perfeito para um piquenique.

- Quer saber? Danem-se provas, danem-se esses sonhos malditos! Eu preciso é de uma farra com os meus amigos.

Encontrou a amiga, que notou logo o seu ar mais alegre.

- Ah, essa é a minha Anne. – ela comemorou.

- Hoje a noite é nossa então? – falou Anne depois das duas marcarem uma saída entre amigos.

- Mas é claro – comentou Nancy – Com direito a saídas com os amigos. – elas riram.

Quando chegaram ao colégio levaram um susto. Ele parecia ter sido tomado pelo caos. As garotas estavam ofegantes e muito animadas.

- O que houve? Quantas mulheres animadas! Que diabos está acontecendo!!!

- M-E-N-I-N-A-S, vocês não tem ideia do que aconteceu! – comentou Mel, a amiga mais popular que elas tinham naquele colégio.

- Chegou um aluno novo!

- Idaí? Por isso estão todas fazendo esse alarde? – Nancy, a outsider perguntou.

- Mas não é um garoto qualquer. – os olhos de Mel estavam maliciosos.

Um grupinho de garotas abriu espaço de boca aberta. Anne, Nancy e Mel olharam para ver o que era.

Ele caminhou na frente de todas sem se importar com o olhar. Ele parecia nem perceber. Estava de cabeça baixa e usava roupas pretas. Levantou a cabeça e seu olhar caiu em direção a Anne.

- Não, não pode ser meu deus!

Era ele. O homem dos olhos negros dos seus sonhos.





Inspiração: http://www.youtube.com/watch?v=gFp7q-IJqno&ob=av2e

e http://www.youtube.com/watch?v=wPBbMbKSZrQ&ob=av2e

domingo, 11 de dezembro de 2011

O desafio - Parte I


Tenho feelling para fantasia?


Anne sempre fora uma jovem muito criativa. Sua família dizia que sua mente dava asas para a sua imaginação. Era uma menina que cresceu cercada de livros e morava em uma cidade muito pequena, daquelas que todos se conheciam, todos acompanharam seu crescimento e seus vizinhos sabiam coisas sobre a sua vida que ela mesma sequer sabia.
Era nesse ritmo que ela vivia e sonhava em um dia fugir dali. Ela morava em Londonville e por lá não havia shopping, boate ou qualquer coisa da moda. Tinha um mercado, uma escola, um cinema e um sebo. E muitas livrarias, pelo menos alguma coisa salvava aquele lugar.
Foi assim que ela passou grande parte de sua vida. Fazia piqueniques com sua melhor amiga, Nancy e lia seus livros da Jane Austen. Anne era doida para viver uma trama daquele tipo, como via nos livros, mas sabia que a vida real era um tanto entediante.
Ela estava no segundo grau e sabia que estava longe de ser o tipo de algum garoto. Ela gostava de livros, gatos e ouvia bandas que ninguém conhecia. Ah, minto, ela ouvia Radiohead, banda que todo menino nerd diz prazer em conhecer.
Então, ela não era o tipo que os garotos buscavam. Apesar de ser alta, ser tão branca quanto à branca de neve e ter cabelos tão claros que justificavam seu apelido "russa" que ganhou quando entrou no colégio e nunca mais perdeu. Mesmo assim, ela estava mais para o tipo “amiga” do que querida.
Ela não odiava sua vida, só queria algo que mexesse com ela. Só que parecia muito difícil. Cansada de todos e da rotina lerda de uma cidade pequena, Annie até namorou o seu melhor amigo Peter que se mudou havia um ano. Com isso, a amizade que tinha, morreu e se transformou em amor. Com a mudança, os sentimentos evaporaram e não restou nada. Desde então, ela estava solteira.
Sua amiga Nancy que era bem mais doidinha que ela, dava força para ela se rebelar. Ela era uma garota muito solta, no alto dos seus dezesseis anos, tinha o cabelo pintado de preto, gótica e curtia baladas. Ela dizia que Anne era careta.
- Ah, sou mesmo, Nancy. Sou muito retrô para esse mundão.
E Anne não se sentia culpada por isso. Não mesmo. Seus pais sempre lhe diziam que ela deveria ser quem realmente era. Então ela seguia daquele jeito, as pessoas aceitando ou não.
Era só mais uma terça feira de Dezembro. A neve tomava conta do lugar e Anne tinha terminado uma prova de matemática que não tinha dúvidas de ter tomado bomba.
- Ah, eu não sei pra quê inventaram a matemática. Sério, para que? Eu gosto de ler, não vou precisar de contas.
- Não vai precisa? O que você pretende mesmo ser? - Nancy zombou.
Ela dizia que seria administradora, mas isso era quase impossível para alguém que não sabia nem lidar com a bagunça do seu quarto e não tinha a menor aptidão para números.
- Ih, não sei. De repente sigo com a sua banda que você vai cair na estrada.
- Até parece! Na primeira parada, você vai cair fora e voltar para papai e mamãe! - comentou Nancy aos risos.
- Como é que é? - Anne jogou sua mochila na amiga que tentou desviar aos risos. - Esse lance de me zoar de careta já tá ficando chato.
- Aé? Então eu te desafio a sair comigo para uma festa que vai ter hoje.
- Fechado.
- Eu ainda não disse o horário, Miss Anne. Será meia noite – Anne arregalou os olhos. - E você vai escondido dos seus pais. Afinal, não tem a menor graça ir com a permissão deles. Fechado? - Nancy estendeu a mão. - Quem perder a aposta, faz a prova do outro pelo resto do semestre.
- Mas...
- É pegar ou largar Anne. Hoje a meia noite, uma festa com vários roqueiros malucos. Que tal?
Ela pensou em desistir, afinal isso não era justo com seus pais. Só que estava cansada de ver todo mundo falando o quanto a sua vida era entediante e o quanto ela era careta. Ela queria mostrar para todo mundo que não era nada daquilo que pensavam.
- Fechado - ela estendeu a mão.
- Passo às onze e meia na sua janela. Janta cedo e diz para os seus pais que está cansada da prova.
- Mas e amanhã, como iremos para a escola?
- A gente chega em cima da hora, você entra pela janela e saí. Simples assim.
Nancy definitivamente tinha um jeito muito louco de levar a vida.
- Tudo bem. - ela cumprimentou - Aceito o desafio, agora tenho que ir para a casa estudar para a prova de amanhã.
Nancy caiu na gargalhada e disse:
- É, Anne. Você não tem jeito mesmo não!
Até que Anne conseguiu enganar os pais direitinho. Ela se sentiu culpada, mas preferiu manter o acordo, nem era por causa da prova, afinal ela nem sabia colar direito, mas sim porque se sentia atraída a cumprir o desafio.
Nancy havia mandando uma mensagem dizendo para Anne esperá-la fora de casa. Anne morava ao lado da Floresta da cidade. Aquilo nunca lhe incomodou muito. Afinal, nunca fora de sair à noite. Mas pensando bem, a floresta de Londonville tinha um aspecto assustador aquela hora.
A lua estava cheia, sua rua infelizmente não era muito iluminada, Anne morava na parte mais afastada da cidade e podia ouvir o som de alguns animais. Por algum motivo inexplicável, sentiu medo, um arrepio lhe tomou conta.
- Seria bom que Nancy chegasse logo - ela falou para si mesma.
Lá dentro, seus pais dormiam profundamente. Enquanto sua filha estava indefesa lá fora com bichos que poderiam fazer algo a ela. Com medo, ela nem sentiu o seu celular tremer com a mensagem de Nancy.
- Hey, vou me atrasar! Estou enrolando meus velhos. Tudo bem se eu demorar meia hora, ILOVEYOU <3
Anne ficou com raiva, estava ali há alguns minutos enquanto esperava por ela, que não iria chegar tão cedo. Resolveu voltar para a cama e que se dane o desafio, pensou. Se virou e tocou na janela para entrar, foi então que percebeu que estava lá fora, presa e trancafiada, havia esquecido a chave lá dentro.
É, sem dúvidas não tenho inclinação para malandragem – ela pensou, se odiando por isso.
Como ela iria explicar isso aos pais? Estava toda arrumada, com um mini vestido que Nancy lhe emprestou que nem sabe dizer como teve coragem de pôr. Eles saberiam na hora que ela estava mentindo e tomaria um sermão, isso senão ficasse de castigo. Ela não queria correr aquele risco. Pensou em ir até a casa de alguém, mas estava escuro e deserto por ali.
- Ah, posso esperar aqui mesmo. Não deve acontecer nada, estou tecnicamente na minha casa.
Engano seu. Ela estava indo para a varanda, quando ouviu passos. Havia alguém ali por perto. Os passos por ora diminuíam e aumentavam. Ela se escondeu atrás da cadeira de balanço. Os passos foram ficando cada vez mais pertos e um lobo uivou. O que quer que fosse estava ali ao seu lado.
E então ela desmaiou.

Inspiração: http://www.youtube.com/watch?v=DIE9U5nPzB0

domingo, 4 de dezembro de 2011

Nostalgia ♥



Andei sumida por alguns dias, mas foi por um bom motivo. Viajei para um lugar que é um verdadeiro paraíso e que me fez relembrar de tantas coisas que estavam adormecidas. Tinha a estrada, uma paisagem linda com pinheiros e animais de todos os tipos, o rock rolando solto no meu celular e uma saudade tão apertada no peito que me consumiu durante a viagem, tanto na ida quanto na volta.
Talvez vocês leitores não saibam, mas a aspirante a escritora que vos fala já foi um dia, uma adolescente rebelde, do tipo que usava coturno e só andava de preto. Naquela época, só o rock'n roll, Harry Potter e filmes alternativos faziam a minha cabeça.
Eu fui tão feliz!
Parece que foi ontem que eu tinha onze anos e passava as festas de fim de ano em Cabo Frio com toda a minha família e fui convidada pela minha madrinha e primos para ir ao cinema assistir um tal de Harry Potter que meu primo era viciado e comia os livros, segundo a minha tia.
Me lembro de ter perguntado a várias amigas que fiz em CB se o filme era bom, elas disseram que sim e que o ator era bonitinho. Eu não estava muito afim de ir, mas decidi aceitar o convite.
A sala estava lotada e chegamos com a sessão já iniciada. Minha prima Clara que na época só tinha seis anos, teve que ficar no meu colo. Eu lembro que tinha muitas crianças no cinema e eu esperava o filme começar.
- Tomara que seja bom! - eu pensei
E logo na primeira cena, eu me vi boquiaberta, com olhos brilhando e coração disparado. Eu nunca tinha sentido tanta vontade de assistir um filme como aquele.
Eu saí do cinema anestesiada, pois tinha sido a primeira história que tinha traduzido tudo o que mais gostava: o mundo dos bruxos e fiquei triste também pelo fim do filme, até que meu primo - que era a cara do Harry naquela época- me disse que o filme tinha livro, que na verdade era uma saga e tinha quatro livros (até em 2001).
-Eu preciso comprar - eu falei.
Sendo que desde pequena eu gostava de livros, minha tia lia para mim as histórias de princesa antes de dormir e eu gostava de ler os livros extra classes antes da professora mandar ler para provas e trabalhos.
Só que nenhum livro antes tinha me conquistado tanto quanto aquele. Eu não tinha visto, mas minha madrinha ouviu o que eu tinha dito e no mês seguinte me deu de aniversário. Eu nunca amei tanto um livro!
Eu acordava pela manhã, arrumava a minha cama e o meu quarto. Ouvia música e partia para o mundo de Harry Potter. Naquela época, eu era uma roqueira rebelde de bandana, louca por shows e cheia de atitude.
Era verão, mas precisamente Janeiro e estava de férias. Pegava a cadeira de praia da minha avó e ficava lendo as aventuras do menino de óculos com cicatriz até o sol se pôr. Eu olhava para o céu que estava uma mistura de roxo, laranja e rosa por conta do crepúsculo da lua e imaginava que o céu que eu via era o mesmo que Hogwarts.
Completamente viciada, ganhei da amiga de uma tia outras continuações. Virei Pottermaníaca, com direito a folhas de fichário, figurinha, pôster e cortes de jornais.
Eu nunca tinha amado tanto uma história, nunca tinha me identificado tanto com os personagens, o mundo e as lições de moral! Eu a defendia com unhas e dentes entre aqueles que zombavam e sonhava como qualquer outro fã, um dia entrar em Hogwarts. Então, quando eu colocava o pé na estrada para viajar com a minha família e via todo aquele visual de tirar o fôlego imaginava como Hogwarts deveria ser. Com o livro a tiracolo e rocks no meu disckman (é, eu sou daquela época), eu viajava e ficava imaginando cada cena, cada cenário, o mundo de Harry Potter.
Eu assisti todos os filmes, amei, odiei, torci, falei mal. Esperei a cartinha de Hogwarts, chorei quando alguns personagens morreram. Eu fui muito feliz com Harry Potter!
Aos vinte um anos, ver o final deixou uma vazio tão grande dentro de mim! Me senti sozinha e quando assisti a última cena de Harry Potter chorei feito um bebê. As pessoas me olhavam estranho e eu chorando aos prantos.
Eu pensava: " - E agora, o que vai ser a minha vida sem Harry Potter?"
Harry Potter foi a minha adolescência, acompanhou dez anos da minha vida, acompanhou as minhas desilusões, amores, tristezas e alegrias. Sonhei diversas vezes com o Daniel Radcliffe e J.K Rowling.
Então ver a estrada novamente é como reencontrar um velho amigo. Uma parte minha tão encantadora que eu pensei que o mundo tinha destruído.
Aquela roqueira revolucionária, tão sonhadora, cheia de ideias e planos que vivia com música ao fundo, trocava cartas com as minhas amigas, ficava até tarde andando e arrumando confusões com os amigos no condomínio em Cabo Frio nas férias.
E eu sinto tanta falta dessa parte de mim, e fico tão feliz em saber que ela não morreu. Que ela esteve todo esse tempo aqui, adormecida.
E sim, ela pode coexistir com o meu novo eu, há espaço para todos. É são elas que me fizeram ser quem sou hoje. Uma estudante de Letras que sonha em ser escritora. Essa é a minha vida, essa é a minha história.