domingo, 2 de setembro de 2012

Sexta feira 13 - Parte Final



Atendendo a pedidos

...Continuação do conto.


Continuamos andando, estava tagarelando sem parar. Tentava envão não me deixar ser dominada pelo medo. As ruas estavam vazias, desertas e fazia muito frio naquela noite escura e intensa. Era muito perigoso para duas garotas como nós andar sozinhas e indefesas em direção a estrada principal da cidade aquela hora da noite. Estava começando a me arrepender da escolha que havia feito.
Uma ventania nos pegou de surpresa no meio do caminho.
- Falta muito? Eu estou contando os minutos para ir para a casa, não faço idéia de onde estamos. – desesperadamente falei.
- Ah, sim. Estamos bem perto – Suzy falou tranquilamente – Estou acostumada a fazer caminhadas, sempre ando por aqui quando está escuro. Logo, logo iremos chegar.
Ela falava de vez ou outra, mas minha mente estava muito confusa com tudo que estava acontecendo. Como meu melhor amigo poderia ter feito aquilo comigo? Será que eu não havia enxergado os sinais? Que tola eu fui! Perdi uma das minhas melhores amizades por burrice, poderíamos ter conversado e chegado a alguma conclusão. Por mais que não fizesse idéia do que estava sentindo exatamente.
De início, eu e Suzy falávamos muito, mas conforme íamos nos afastando do centro de Caverwood, ela foi ficando mais quieta. Tentei interpretar isso como não sendo um mau sinal. Ora, ela sempre fora assim. Quando a professora chamava seu nome na chamada, suas bochechas ficavam vermelhas e ela não gostava de falar em público. Ela era o que chamávamos de bicho do mato.
Depois de meia hora andando na estrada que estava deserta, eu já estava cansada. Meus pés congelavam e não fazia idéia de onde estávamos. Suzy estava calada e olhava tudo ao redor desconfiada.
- Está tudo bem, Suzy? Faz idéia de onde estamos indo? Tenho impressão de que estamos andando por horas!
- Não, já estamos chegando – ela deu um meio sorriso – Andando até lá, demora mesmo.
Observei que estávamos super afastadas do centro, andávamos sozinha na estrada e não passava nenhum carro. Era muito perturbador.
Próximo da estrada, no outro lado havia a floresta. Podíamos ouvir o barulho de alguns bichos e alguns uivos. Seria muito bom que eu chegasse logo de uma vez em casa.
Foi aí que notei que Suzy estava andando cada vez mais devagar. Quase uma tartaruga.
- Vamos embora Suzy, mais rápido, não podemos perder tempo aqui! Está deserto e muito perigoso!
Olhei para ela e quando fiz isso, senti um arrepio na espinha. No lugar dos seus olhos pretos tão calmos, havia duas bolas de fogo vermelhas. Ela me encarava com um olhar demoníaco. Pensei em gritar, mas minhas pernas não faziam nada.
Ouvi uma rajada de vento e passos. Tudo estava muito escuro e quando me virei, só era possível ver a neblina.
Pensei em fugir, mas estava rodeada.
Ao meu redor, estava Suzy com um olhar que me dava arrepios e um homem muito pálido que surgiu do nada, me olhando esperançoso. Ele era pálido, tinha olheiras e usava roupas antigas. Parecia sair de algum filme de época. Olhar para ele me dava medo.
Pensei em correr, mas minhas pernas não se mexiam.
O homem sorriu e quando fez isso, eu clamei por Deus.
Ele tinha presas, seus lábios eram extremamente arroxeados como se estivesse morto. Mas ele estava morto. Ele era um vampiro e minhas pernas não se mexiam. Eu respondia aos seus comandos. Olhei ao redor e então eu vi. Estávamos parados em uma encruzilhada. Um filme passou pela minha cabeça e a voz em minha mente era muito clara:

- Não ande em encruzilhadas, Lilian Mary Weasley! – Quando não me chamava por criança, era pelo nome todo que minha avó me chamava.
- Okay vovó. – como se algo pudesse me acontecer.


Oh meu deus, mas era possível que minha avó soubesse? Ela sabia, como poderia? Então todas aquelas coisas que vovó dizia, faziam sentido. Não eram simples histórias de sua imaginação ou que ela lia nos livros. Não, era verdade.

- Vó, minha mãe está com receio de me deixar ir ao cinema assistir o filme de vampiro do ano, só porque talvez volte muito tarde.
- Não entendo porque você quer ir ao cinema para ver essas coisas, se podemos nos deparar com elas a qualquer momento.


Mesmo diante de cara com a morte, não poderia notar a ironia. Minha avó era vidente e eu sempre pensei que fosse bobeira. Se eu tivesse ouvido as coisas que ela dizia, nada disso teria acontecido... Ela tentou me avisar e eu ignorei!

- Nem tente – sua voz grossa, meio pesada ordenou rindo. Uma risada fria, cruel, mortal.
- Ah, meu Deus. Suzy, o que está acontecendo? Me ajude! – implorei - Me tire daqui.
Olhei para ela e ela olhava o homem como se o conhecesse.
- Bom trabalho! É bom saber que você cumpriu direitinho o que ordenei.
MAS O QUÊ? – pensei.
Ele não estava falando comigo. Ele falava com Suzy. Para Suzy.
- O que está acontecendo? SOCORRO – gritei. – Suzy, por favor, me ajude!! – meu coração disparava, lágrimas salpicavam do meu rosto e cada movimento do vampiro, me sentia mais próxima da morte.
- Eu não posso! – sua postura agora era diferente. Ela não era mais aquela mocinha frágil que tinha medo de filmes de terror. Seus olhos pegavam fogo e sua pose era mais altiva. Suzy me olhava com uma mistura de desdém, receio e desprezo.
- Por quê? – gritei.
- Oh, ela não sabe – debochou o vampiro – Vá, conte a ela Dragon!
- Dragon? – exclamei.
- É o sobrenome da sua amiga – ele ria. Parecia ser uma piada muito engraçada, minhas mãos estavam presas, cordas imaginárias não permitiam que me mexesse. Eu havia enlouquecido e aquele era um pesadelo, só podia.
- É, esse é o meu sobrenome.
- Não sabia, pensei que seu nome fosse..
- Me chamo Suzanne Lycon Dragon – ela falou com impaciência e nem parecia a menina medrosa que conhecia.
- Por que seus olhos estão pegando fogo? Quem é você? – perguntei com muito medo e ao mesmo tempo completamente descrente que isso estava acontecendo comigo. Sabe uma daquelas situações que você jura nunca passar na vida? Pois é, acho que isso se encaixa perfeitamente nessa descrição. Eu tinha medo dessa pergunta, tinha certeza de que a qualquer minuto iria acordar na minha cama, depois desse terrível pesadelo.
Mas não, eu estava respirando, eu estava assistindo aquilo tudo. Era real, estava com muito medo, estava presa ao que quer que fosse e eu iria morrer. Esta noite.
Suzy me encarava, como se eu fosse uma desconhecida. Queria ligar para alguém, eu precisava sair dali, eu não merecia morrer.
- Ah, ela não te contou? – mais uma vez o vampiro ironizou. Suzy abaixou a cabeça como se estivesse com vergonha. – Sua amiguinha não contou? Ela é filha de um demônio, o que a torna ... Vejamos ... Um demônio também. Não sabia? – ele caiu na gargalhada.
Olhei para ela desesperada, olhei fundo nos olhos dela e ela me encarou. Era verdade.
- O quê? Não, não pode ser. Por que fez isso comigo? O que quer comigo? É mentira, isso é tudo mentira! – exclamei gritando.
- Não, não é. Não vê que está presa? Você não consegue se mexer. Eu tenho sua vida em suas mãos, você pode morrer a qualquer momento – ele deu uma gargalhada fria e cruel. Ah. Não, não poderia ficar assim. – Não vê onde estamos? – ele indicou para um canto – Isso é uma encruzilhada. Você não tem saída, garota! Aqui é o meu comando!
Me lembrei da minha avó. Como eu queria que ela pudesse me ouvir, sentir que eu estava em perigo!
- Quero que saiba Lilly que só fiz isso, porque não tive escolha. – Suzy respirou fundo e continuou - Eu sou um demônio. Minha origem é das trevas. Andamos pela terra e nos passamos por humano entre vocês. Essa sua raça tão vazia e superficial. – Senti tom de escárnio em sua voz.
- Quem é você? O que faz?
- Ah, eu tenho muitos poderes – ela falou em tom condescendente. – Posso hipnotizar você e deixar sob meu comando, fazer com que faça tudo que eu quiser. Ficará sob as minhas ordens. Posso me apossar do seu corpo, provocar acidentes...
- Oh meu deus! Foi você quem provocou todos aqueles acidentes! – acusei
- Oras – o vampiro bateu palmas – Ela acertou, até que para uma humana que vai morrer você é um tanto inteligente. Antes que se esqueça, preciso dar um toque mais sombrio a esta noite. Hoje é sexta feira 13. Quem em sã consciência andaria por aí, sozinha à noite em um dia assim? – ele estava se divertindo. Ele era o melhor ator do seu espetáculo perfeito.
- Meu nome é Lord Stephan e sou um vampiro - Ele pegou a minha mão e pude sentir aquelas garras frias e geladas, de um homem morto. Tive nojo, pavor! Tentei me afastar, mas eu estava sob seu poder. Ele beijou a minha mão e pude sentir seus lábios frios e sua língua em formato de cobra.
- Por favor, eu imploro pela minha vida. Não me mate, não precisa ser agora. Mas por que Suzy fez isso comigo?
Ela parecia sem graça e seus olhos voltaram ao normal, era perturbador e insano:
- Meu pai é um demônio, Lily. Ele vivia entre os homens, se passava por um. Ele fugiu do inferno, ele não queria se associar a nenhum eles e procriou. Só que Stephan o achou e o seqüestrou – ela olhou para o vampiro e continuou a falar - Eu tinha que te trazer até aqui para ter meu pai de volta. Lamento!
- Lamenta? Eu vou morrer! Como alguém que é minha amiga pode fazer isso? Eu confiei em você!
- Oh, minha linda – suas garras alisavam meus braços – Ela é um demônio. Não tem sentimentos como você. Suzy é frio, calculista e cruel. É natural de sua origem.
- Na verdade – ela riu presunçosamente – Foi muito fácil. Essa noite todos estavam muito agitados. Foi muito fácil fazer sua amiga se embolar lá com o outro e aqui estamos.
- Foi você? Foi você que fez aquilo com a minha amiga?
- É claro né? Quando acha que um cara lindo e popular iria olhar para a sem graça da sua amiga?
Eu olhei para ela com ódio e não me importava que Suzy fosse um demônio. Eu era a própria fúria. Ninguém falaria mal da minha amiga na minha frente!
- Quem diria que aquela menina medrosa, com horário para voltar para a casa, fosse um demônio – ironizei. – É, realmente nem todo mundo é o que parece ser. Algumas pessoas constroem máscaras para poder conquistar a confiança dos outros para poderem se dar bem. Tenho nojo de ter sido sua amiga! Como eu me arrependo! – dito isto, cuspi em sua face. Stephan estava se divertindo com aquilo tudo. Eu tinha que aproveitar a sua distração. Suzy gritou, só que de sua boca saiu um rugido gutural.
- Era uma ótima máscara para esconder quem eu sou e vocês caíram direitinho – ela deu um sorriso maligno e balançou os ombros. – Foi muito bom te conhecer, Lily. Uma boa eternidade!
Suzy saiu e eu gritei, tentei me mexer, mas não conseguia. E quando mais tentava me desvencilhar das cordas imaginárias, faíscas caíam sob o meu corpo me queimando, me torturando.
- Ah, tadinha! Continue tentando, você não tem mais escolha! – Stephan sentenciou enquanto Suzy andava sem ao menos olhar para trás.
- Por que eu? Por favor, não me mate. Eu te imploro.
- Ah. Não faça isso! Isso dá um toque ainda mais sedutor as minhas vítimas. - Stephan fez um cara feroz e abriu a boca, com suas garras expostas. Eu só conseguia gritar.
- Por que eu?
Ele pegou meu rosto com suas garras frias e me encarou, parecia não notar.
- Você não sabe? É isso mesmo?
- O quê?
- Você é uma caçadora de sombras e é por isso que vim te matar. Um dia da caça e o outro do caçador.
- O quê? – indaguei. Nada do que ele dizia, fazia sentido.
- Você é nada mais, nada menos do que a caçadora de sombras mais nova da história. Você faz parte de uma das linhagens mais antigas e mais poderosas de caçadores.
- Isso é loucura! Não estou achando graça!
Com isso, ele me balançou, me chacoalhando.
- QUEM DISSE QUE ESTOU BRINCANDO SUA HUMANA IMUNDA. Posso sentir o sangue dos anjos em suas veias e isso me enoja! Sua missão neste mundo, é nada mais nada menos do que caçar todos os seres das trevas. Duendes, demônios, bruxas e vampiros como eu.
- Como Buffy*?
- Sim – ele berrou apertando meu braço. – Como naquele filme idiota. Com estacas, cruzes e tudo que tem direito. Mas antes de você vir a fazer isso, eu já estou fazendo!
- Mas, por favor, eu não sabia. Me liberte, me deixe viva!
- Não posso, você está prestes a completar dezessete anos, a idade quando as crianças caçadoras se tornam oficialmente adultos caçadores e passam a nos matar. Você é um perigo e principalmente para mim! Mas não vai ser mais.
- Por que eu sou perigo? Não vou te machucar! Me deixe ir embora, e eu não faço nada. Nem sabia disso!
- É claro que não, vocês só descobrem aos dezessete anos, mas não posso deixar você ir – o vampiro deu uma gargalhada fria e cruel – Você é muito perigosa para mim!
- Mas por quê?
- Porque eu sou o rei dos vampiros – seu rosto estava colado junto ao meu – Sou o Drácula, só mudei de nome – disse ele não dando muita importância.
Arregalei os olhos, morrendo de medo:
- Na.. Não... Não. Por favor – eu gritava. Eu sabia, a minha hora estava chegando.
- Sim, você vai morrer.
- Mas eu não sabia, não tenho culpa!
- Em partes – ele estava se divertindo – assim que eu terminar, vou atrás da sua avó, aquela velha e louca caçadora e irei matá-la como vou fazer com você – ele estava sedento de sangue, de morte, de vida.
Minha avó!
- Minha avó é uma caçadora? Não, não é possível! Por favor, a deixe em paz – eu gritava, chorava e esperneava.
- Diga adeus a sua miserável vida e diga olá a morte por mim cher – ele passou a mão em meu rosto e me olhou com olhos esfomeados.
Eu chorava, terrivelmente. Mas não havia nada mais do que eu pudesse fazer. Como eu queria viver, mas não tinha escolha. Eu ia morrer e sabia disso. Stephan me olhou como um animal que corre atrás da sua presa e abriu a sua boca revelando sua amaldiçoada presa. Ele esticou minha cabeça deixando meu pescoço à mostra. Fechei meus olhos em direção a morte.


Foi tudo muito rápido. O vampiro rugiu e expôs a sua língua de cobra, queria que Deus tivesse piedade de mim e nos braços da morte, passou um filme em minha cabeça. Minha mãe, minha avó, meus amigos e... Jake.
- NÃOOOOO! – Alguém gritou, conhecia aquela voz. Não, não era possível.
Lord Stephan levanta a cabeça e demonstra estar visivelmente irritado. Ficou curioso em saber quem queria interromper a sua refeição.
Seus olhos demonstraram descrença. Olhei na direção e senti que despencaria. Quem vinha era nada mais, nada menos do que minha avó com outra pessoa que não conseguia discernir devido à neblina.
- Vó, não faça isso! Vá embora, é perigoso. – Meu coração disparava, não queria pensar no que ele faria com a minha vózinha. Eu poderia morrer, mas ela não. Avós são eternas.
- Ora, ora, veja quem chegou para o show!
- Nem pense seu sugador de sangue miserável que irei deixar você fazer isso!
- Ah sim! Sua velhota esclerosada! Quem irá me impedir?
- Nós – eu reconheci aquela voz.
Meu melhor amigo Jake estava ao lado dela, ambos sérios seguravam alguma coisa na mão que não conseguia enxergar. Jake não parecia nem assustado, nem com medo. Okay, acho que todo mundo sabia sobre isso, menos eu!
- Oh Deus, mas você também Jake? Por que não me avisou?
Foi então que ele me encarou. Seus olhos estavam cheios de desespero, insegurança e medo. Meu coração disparou mais ainda.
- Não vamos deixar nada acontecer com você, não se preocupe!
- Ah! Ora vejam, um caçador das sombras adolescente e uma caçadora velhota. Vocês pensam que irão conseguir me impedir. Mas não vão. O futuro de vocês está em minhas mãos – dito isto, ele me puxou e me colocou ao seu lado, de forma que sua presa ficava ao lado do meu pescoço.
- Por favor, vão embora. Ele vai matar vocês, assim como irá fazer comigo. – o que quer que fosse, não adiantava. Minhas lágrimas caíam, não tinha vergonha de chorar.
- Não, não vai! Ah, Stephan! Ele pensou que iria pegar você, pensou que poderia nos enganar. Tudo que está acontecendo na cidade, você nem ao menos tentou esconder. Todos aquelas pessoas feridas. Pensou que poderia nos enganar. – minha avó falou, ela estava irada.
- E ainda por cima, colocou um demônio no meio de nós tentando nos enganar. Que ridículo!
Oh, então Jake sabia da Suzy, aquela maldita. Será que aquilo que aconteceu no cinema entre nós era obra dela também? Senti como se tivessem dado um soco no meu estômago, essa deveria ser a parte boa, mas não fiquei contente em saber isso. Minhas bochechas ficaram vermelhas. Espero que Jake não saiba ler meus pensamentos.
- Sua hora acabou.
- Deixe-me adivinhar sua velhota. Trouxe sal, água benta. Achava realmente que isso iria acabar comigo, não é mesmo? Olha, foi tão fácil enganar vocês. Você, sua velhota imunda, sabia o tempo todo e deixou isso acontecer.
- Mentira – minha avó gritou. Ela tentava chegar perto de mim, mas a cada passo, mais o vampiro se aproximava de mim. Ele estava adorando esse jogo.
- Vó, você sabia? Por que não me contou sobre tudo?
- Meu anjo, é uma longa história. – Pela primeira vez, senti sua voz ficar triste – Nós fazemos parte de uma linhagem muito antiga e secreta. Somos caçadores de sombras, você tem o sangue de anjo nas veias e pode lutar contra as forças do mal. Não te contei, porque é proibido contar antes dos dezessete anos. Mas Stephan chegou antes, ele é um vampiro esperto e muito antigo. Ele tentou a mesma coisa comigo – ela respirou fundo e continuou – mas essa noite não irá conseguir.
- Não, teria tanta certeza assim se fosse você – ele pestanejou. Dito isto, Jake jogou rapidamente água benta e sal grosso. Ouvi Stephan gritar. Ele me soltou e camadas de fumaça saíam do seu corpo onde tinha sido atingido. Eu estava livre das cordas imaginárias que me prendiam a ele.
- Vocês pensam que irão acabar comigo! – Stephan berrava - Mas não vão! Me devolve a garota, verme! – ele falou para Jake que me segurou para não cair.
- Não, não irei entregá-la. – Jake mostrou a mão que continha uma estaca de madeira. – Tudo vai acabar essa noite!
- Não mesmo – Pensei que ele ficaria debilitado com o sal e a água, mas parece que eles não surtiram tanto efeito assim no vampiro.
Lord Stephan sorriu, mostrou a língua e falou para mim:
- Dê adeus a sua avó primeiro. Ela irá primeiro que você.
- Nãooo!!!
Stephan partiu para cima da minha avó muito rapidamente. Meu coração disparou, queria gritar. Minha avó percebeu, levantou a mão para se defender e cravar a estaca que estava escondida em suas vestes, mas era tarde.
Eu havia arrancado a estaca das mãos de Jake e cravado no vampiro. Ele se virou para olhar gritando com fúria, me agarrou pelo pescoço e mesmo morrendo, se preparava pra me morder. Eu estava novamente enfeitiçada, sob seu feitiço. Foi quando Jake se moveu e fez algo. Só que o vampiro, virou pó. Sumiu.
Despertei e caí nos braços de Jake.
- Oh meu deus! Querida você está bem? – minha avó me abraçou desesperada, verificando cada parte do meu corpo para ver se estava no lugar.
- É, estou. E vocês? – perguntei. Minhas pernas tremiam e minhas lágrimas de nervoso despencavam.
- Está tudo bem. – os dois confirmaram.
- Meu Deus, é tão bom que esteja bem! Você não tem idéia do quanto me deixou furioso em sair do cinema naquele momento!
- Você sabia que Suzy era um demônio, Jake? Que história é essa? Alguém pode me explicar?
- Claro que sim! Agora podemos – minha avó respirou fundo e disse daquele seu jeito. – Vamos lhe contar tudo, mas antes vamos embora daqui. Não é nada bom ficar parado em uma encruzilhada de madrugada em uma sexta feira 13.
Caminhamos e entramos no carro do Jake que estava estacionado atrás da estrada.
- Agora contem! Desembuchem!
- Bem – minha avó falou do banco da frente enquanto ajeitava o cinto de segurança. – Como já sabe, sou uma caçadora das sombras. Assim como você é.
- Eu sou?
- Sim, é. Fazemos parte de uma linhagem muito antiga de caçadores, na realidade toda nossa família. Infelizmente pode acontecer de alguém não herdar esse dom ou maldição, tudo depende da forma como você vê e foi isso o que aconteceu com a sua mãe. O fato é que isso sempre acontece com as pessoas mais céticas, que não acreditam. – Ela falou, olhando para mim. Logo eu, uma das pessoas mais céticas do mundo. Quem diria. Nunca pensei viver em um mundo que existisse vampiro, demônios e bruxas a solta – Somos descendentes da relação de anjos caídos com humanos. O sangue de anjo corre em nossas veias, por causa disso temos essa missão. Nossa missão é caçar seres das trevas como vampiros, lobisomens, bruxas e demônios. Você demonstrou total capacidade para isso essa noite.
- E por que, nunca me contaram?
- Porque segundo as nossas leis, nenhum caçador das sombras pode ficar sabendo antes de completar dezessete anos, que é uma idade muito importante em nosso mundo. Só que diante dos fatos de hoje, é necessário lhe contar tudo. – Informou Jake. – Acontece que até o caçador completar dezessete anos, ele passa por muitos ataques e atentados, como aconteceu hoje com você, comigo e com a sua avó quando descobrimos o que somos.
- Você também é um caçador Jake?
- Sim, eu sou – ele riu, com um ar misterioso. – Desculpa esconder isso de você, confesso que foi muito difícil. – ele me encarou com seus olhos azuis e piscou. Talvez não fosse obra daquele demônio.
- Mas vó, se a senhora é vidente, como não previu que tudo isso fosse acontecer comigo?
- Digamos que Stephan foi muito esperto. Nem todos os acontecimentos aparecem nas cartas e às vezes, eles se mostram muitos confusos. Vi sim que algo iria acontecer, mas por conta de todas essas coisas estranhas que tem acontecido na cidade, não foi possível decifrar. Achei que eram esses acidentes, nunca imaginei que isso iria acontecer com você! Se você tivesse morrido, nunca iria me perdoar.
- Me desculpem. Não sabia que Suzy era um demônio, ela foi uma surpresa e tanto.
- Tudo bem, minha linda. Não foi a única a ser enganada, já aconteceu com outras pessoas antes. – Vovó contou.
- Ah, Lily, Ivi lhe pediu desculpas por ter lhe deixado lá – Jake estava rindo ao dizer isso – Ela ficou muito sem graça e se sentiu culpada de ter te deixado ir embora. Assim que foi embora, o encanto entre ela e Thomas se desfez. Os dois não faziam idéia do que tinha levado eles fazerem aquilo, mas já era tarde demais.
- E aí? – perguntei curiosa.
- Já era tarde, mas ambos gostaram. Deu pra perceber que estão caidinhos um pelo outro! – Eu, Jake e vovó rimos. Ivi é uma figura, ela merecia ficar com Thomas. Quem diria que o demônio até que não fez errado?
- Para onde vamos?
- Atrás da Suzy, não podemos deixá-la solta.
- Mas há essa hora ela deve estar longe!
- Que nada. – minha avó comentou – esses demônios deixam rastros. É muito fácil rastreá- los quando são descobertos. Considere isso a sua primeira lição.
Paramos em um lugar deserto, próximo a entrada da cidade. Descemos do carro e vovó disse:
- Esperem aqui. Vou seguir esse rastro e ver até onde termina, fiquem aqui.
- Mas não é perigoso?
- Não, demônios não sentem a nossa presença. Eles são meio cegos em relação a caçadores, por isso Suzy demorou a te notar – Jake comentou.
Minha avó nos deixou sozinhos. Tantas coisas aconteceram àquela noite, queria tantas respostas, mas por enquanto apenas uma iria me deixar satisfeita.
- Jake?
- Sim?
- Aquilo que aconteceu entre nós no cinema foi obra da Suzy?
Ele ficou refletindo durante um tempo, por fim suspirou e disse:
- Não! Mil desculpas por aquele comportamento, não queria lhe perturbar! Só pensei que sentisse o mesmo. Tudo bem se não quiser que sejamos mais amigos.
- Hein, nada disso! Eu queria saber... Na verdade, o que sente por mim – falei com vergonha e torcendo para que minhas bochechas não ficassem vermelhas.
Ele pareceu não acreditar e respondeu:
- Lily, você sempre foi e sempre será a minha melhor amiga, não importa o que aconteça. Só que já faz um tempo, você cresceu e eu também e não te vejo mais só como amiga. Eu estou apaixonado por você Lily. Gosto de você como nunca gostei de ninguém antes. Não consigo parar de pensar em você e o quanto é linda.
Meu coração disparou, borboletas dançavam dentro do meu estômago. Eu ri.
- O que foi?
- Obrigada por salvar a minha vida esta noite! Sou muito grata por isso – agradeci. - Quando tentou me beijar lá dentro, fiquei confusa e tive medo de perder a sua amizade. – ele me ouvia atentamente – Mas eu descobri que não vejo você só como amigo. – Encarei o nos olhos e disse:
- É, eu também estou apaixonada por você, Jake. – eu sorri.
Ele sorriu e se aproximou.
- Mas e agora, o que será de nós? – perguntei.
- Isso!
Ele se aproximou e me beijou, me deixando literalmente nas nuvens. Amei aquela sensação e não, não era nada estranho beijar meu melhor amigo. O garoto de quem eu gostava. Nós dois nos apaixonamos, acontece.
E aquela noite só estava começando. Quem diria que em uma noite, tanta coisa em minha vida fosse mudar. Agora eu era uma caçadora das sombras em treinamento e minha missão é destruir seres da noite. Me desejem sorte e quem sabe um dia, a gente não se esbarra por aí?


* Para quem não sabe, "Buffy" é um filme lançado originalmente em 1992 dirigido por Fran Rubel Kuzui que conta a história de uma líder de torcida do ensino médio que descobre ser uma caçadora de vampiros. O filme é uma paródia de filmes de terror e seus inúmeros clichês, foi também muito influenciado pelos filmes dos anos oitenta. A série da TV com o mesmo nome foi baseada neste filme e ambos foram escritos por Joss Whedon. No elenco, há nomes como Kristy Swanson Buffy), Hilary Swank (Kimberly Hannah), David Arquette (Benny Jacks)e Ben Affleck (jogador de Basquete). E é este filme que me refiro no conto.

4 comentários:

  1. Oh, muito obrigada mesmo. É bom saber :) Em breve irei escrever mais um capítulo da minha história.
    Eu gostei do final da sua. Beijinhos.

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  2. Miga está escrevendo super bem!!

    Bjs

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  3. *---*
    "Agora eu era uma caçadora das sombras em treinamento e minha missão é destruir seres da noite. Me desejem sorte e quem sabe um dia, a gente não se esbarra por aí?"

    Quem sabe,né?
    Final melhor não haveria de ter!

    Ai,esse conto me lembrou tanto do filme 'Gabriel - Vingança de Um Anjo'.Um dos meus filmes preferidos.Vale a pena assistir,caso você não conheça.

    *Blog sempre de cara nova,lindo, diferente e aquariano como sempre! =)

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  4. ah que final bonito, querida fiquei te lendo aqui e perdi a noção do tempo, tu escreveu pra caramba hein (risos).

    Escrevi outro romance, por favor, eu to com saudade daqui!

    Beijo flor

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