sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A árvore de sonhar





Era uma vez uma árvore de sonhar. Localizada em um dos lugares mais lindos que seus olhos possam imaginar, a árvore era toda pomposa e repleta dos frutos mais deliciosos que possa existir na terra. Qualquer um que a visse, entraria em perdição por causa daquela árvore. Tão poderosa e linda aos olhos humanos.
A tal árvore criada por Deus foi feita para as pessoas sem esperanças, que caminham dia após dia carregando a tristeza no coração e não veem sentido em viver. Deus queria mostrar que é possível sim acreditar, é possível sonhar.
Os humanos enlouqueceram pela árvore, entraram em perdição por causa dela, mas as palavras de Deus eram claras: só os merecedores seriam capazes de desfrutar da sombra debaixo daquela árvore e se deliciar com os frutos.
Muitos tentaram, mas não conseguiram. Todas as pessoas que tentavam se aproximar e não eram merecedoras de chegar perto, eram atacados por uma ventania surreal que lhes confundia e mudava o rumo dos seus caminhos. Passaram-se anos, décadas, séculos e nenhuma pessoa conseguiu chegar perto da árvore de sonhar.
Até que um dia, tudo mudou. Um menino usando roupas gastas e todo sujo se aproximou dela encantado. Ele tinha a cor da noite e seus olhos brilhavam esperança. Seu nome era João e ele era um sonhador, pois por mais que a vida tivesse lhe colocado em situações ruins, ele ainda acreditava que no final tudo daria certo. João não sabia quem era seu pai e sua mãe além de pobre, não tinha a cabeça no lugar. João não tinha o que comer em casa e vivia largado nas ruas. Ele viu coisas boas e ruins, João era apenas uma criança.
João ficou com medo de se aproximar da árvore. Ela era tão linda e ele estava todo sujo. Só que alguma coisa dentro do seu coração lhe dizia para avançar. João queria tanto que as coisas mudassem em sua vida. Queria que sua mãe olhasse pra ele e queria descobrir quem era seu pai. Queria ter o que comer em casa e poder ter alguém para amá-lo. Cheio de esperança, ele se aproximou e chegou perto da árvore de sonhar que reluziu quando sentiu sua presença. O menino amaravilhado sentou aos pés dela e Deus chorou feliz, seu filho estava sendo recompensado. João foi tomado por imensa alegria e com a sensação de que as coisas podiam mudar para melhor. Ele comeu do fruto e ficou chocado com tamanha gostosura. O fruto era delicioso e saciava sua fome de dias completamente. Para João, aquela árvore era abençoada por Deus.
O menino ficou ali o dia inteiro. Sorriu, dormiu, sonhou e brincou com os animais que circulavam a árvore. Foi um dos dias mais lindos da sua vida e quando estava escurecendo, João agradeceu Deus por isso.
Ele já estava indo embora, quando uma moça muito bonita o avistou. Ela tinha cabelos loiros e parecia uma estrela de cinema. Quando os olhos dos dois se encontraram, surgiu um amor maior que tudo nessa vida. Um amor maternal, coisa que só Deus explica.
A moça viu o estado do menino e se aproximou dele.
- Olá, você está sozinho?
Mal sabia João que aquela seria a frase que mudaria a sua vida. Deus lá em cima contemplava a cena feliz. João era merecedor da Árvore de sonhar.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Blogosfera 08



Tenho saudades da blogosfera da época em que eu era adolescente. Quando comecei com o blog em meados de 2008, não tinha outro objetivo a não ser desabafar e usar como diário. Eu só não imaginava que criaria textos e de uma hora para outra, o blog se transformou em um lugar onde poderia ter meus surtos poéticos. Funcionou do jeito que eu queria.
Escrevi muito, tive muitas inspirações e o blog acompanhou fases diversas da minha vida e por incrível que pareça me ajudou a lidar com muita coisa. Tive a oportunidade de conhecer blogueiros maravilhosos e na nossa época, a blogosfera era completamente diferente. Na minha época, tinha de tudo. Desde estudante a poeta e toda essa mistura contribuiu e muito para nosso crescimento. Tive a oportunidade de ter acesso a um material vasto e enriquecedor que me transformou como pessoa. Conheci trabalhos maravilhosos e de uns tempos para cá, sinto falta de encontrar blogs iguais aos daquela época. Tenho a sensação de que todos os blogs atuais são repetitivos e chatos. São sempre o mesmo assunto, a mesma notícia, o mesmo pensamento.
Observei que o gênero "blog" virou mercado. Algumas blogueiras famosas como Bruna Vieira e Isabela Freitas até conseguiram contrato com editoras para publicarem seus livros graças a intensa publicidade que conseguem com seus sites. Maneiro! mas na minha época não era desse forma. Ultimamente ao visitar uns blogs, me deparo com tutoriais de moda, resenhas de livros e muitos sorteios. E confesso, me sinto um peixe fora d'água. Onde foi parar a arte?
Eu não sei!
Todas essas resenhas e dicas de moda me dão agonia. Olha, eu até gosto de ficar por dentro das novidades e acompanhar as tendências, só que não tenho saco para seguir 987462628 zilhões de blogs com a mesma informação e com aquele layout pesado. Eu não tenho nada contra esses blogs, longe de mim. Só que definitivamente não é a minha praia.
Até postei umas resenhas sobre livros, filmes e séries por aqui e pretendo continuar com elas, mas com um caráter mais pessoal e com menos cara de resenha. A palavra resenha é tão quadrada, rotulada e não é isso o que eu quero com o meu blog.
Sempre quis escrever o que me desse na telha por aqui. Contar sobre os meus dias, postar meus textos e crônicas, dividir minhas bandas, livros, filmes e séries favoritas. Continuem esperando isso, mas não contem com um visual marqueteiro neste blog, porque não tem e nem vai ter. Ele é só um blog que não se rendeu a essa loucura que é o mundo virtual atualmente.
Sinto falta da época em que comecei, pois foi a época mais intensa que vivi. Foi ali que descobri que queria escrever e era a única coisa que queria fazer da vida. Descobri as minhas influências, comecei a escrever meu primeiro livro e troquei papos interessantíssimos com outros blogueiros. Tenho a sensação de que já não se fazem blogueiros como antigamente. A arte pela arte, produzir e criar acabou-se, poucos blogs mantém aquele ar autêntico e fiel a sua personalidade. A maioria que começou junto comigo nessa parada de blog, hoje em dia está casado, se formando, com filhos, lançando livro e não teve como continuar com o blog. Me sinto meio sozinha e abandonada. Eles que pensavam como eu não voltaram para o mundo dos blogs. Seria isso um sinal? Acho que não.
Um dos tratos que fiz quando criei o blog, era de forma alguma acabar com ele. O Momento Lala não vai ter fim. Quero sempre postar alguma coisa - qualquer coisa - nele. De alguma forma, este site é uma ponte que me uni ao meu passado, presente e futuro. É maravilhoso acessar o blog, ler os textos antigos e ver como evoluí (é por isso que não apago os textos, gosto de ver as mudanças que são sempre bem vindas), ler os comentários e ver tudo que vivi. São tempos que não voltam, mas estão gravados e guardados aqui e posso acessar quando eu quiser.
Gostaria muito que a blogosfera atual seguisse o comportamento da galera antiga, mas sei que isso é impossível. Sou uma eterna saudosista, meio velha que sente falta dessa época tão boa. Toda essa reflexão me fez pensar em outras coisas e acima de tudo, de que estou me despedindo da minha versão "adolescente" para deixar a adulta ficar. Mudar é estranho e confuso, mas estou deixando rolar e fluir para ver no que dá. Agora eu quero fazer acontecer.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sobre os não amigos





Todo mundo gosta de ter amigos. De saber que existe alguém em algum canto por aí que te compreende, está na mesma sintonia que a sua e entende o universo que é a sua vida. É tão bom ter amigos com quem possamos compartilhar momentos bons, contar que passamos naquela prova, que o tal carinha ligou, que está triste porque o cachorro morreu e que amanhã começo a fazer dieta.
Ter amigo é a sensação mais única que existe. E a sensação de se sentir realizado não tem preço. Quem não tem amigos é solitário, quem não tem amigos não sabe o que está perdendo. Só que além dos amigos, existem aqueles "Não amigos". E eu aposto que você tem um deles.
Os não amigos são aqueles que tentamos ser amigos, que em um determinado momento até acreditamos. Até podemos chamá-lo de amigo, mas lá no fundo sabemos que não, eles não são amigos. Comecei a refletir sobre isso quando percebi a utilidade de algumas pessoas em minha vida. E esse sentimento é bom e ruim, porque alivia, porém ao mesmo tempo ficamos sem saber como lidar.
Aquele não amigo é aquela pessoa que você não tem nada em comum e ainda assim não tem assunto. Às vezes um assunto da faculdade, perguntar como vai Joãozinho - outro amigo em comum, mas vocês não dividem nada: nem frases, dias ruins e momentos. Não tem jeito, essa pessoa vai ser seu "não amigo". Vocês devem estar pensando "ah, mas isso tem um nome: colega". Acho que não. O termo colega soa artificial, está claro que não existe nada ali. O "não amigo" é aquele que você tentou ter amizade, mas não deu certo. E quantas vezes me peguei fazendo isso! Tentando manter amizade com pessoas que a minha intuição deixou claro que não ia dar certo. Quantas vezes mandei e-mail e não fui respondida, quantas vezes chamei para sair e não apareceu. E quantas vezes me vi pegando fazendo a mesma coisa. Não sei o que move um não amigo a pensar que pode existir amizade. Às vezes amigos em comum, faculdade, trabalho ou algum interesse em particular que não sustenta a amizade. Só que esses status, lugares e pessoas não são garantias de amizade.
Amizade vai muito além disso. Costumo dizer que é coisa de alma e que só Deus explica. São pessoas que são colocadas em nosso caminho para nos ajudar, amar e crescer junto com a gente. E infelizmente, o não amigo não se encaixa em nenhuma opção. É triste, mas é a verdade.
Vi isso acontecer quando observei o rumo que certas amizades na minha vida estavam tomando e notei, que nunca foram amizades. Por não saber como classificar, no impulso achamos que era amizade. Mas nunca foi e nem vai ser.
Desconfie de pessoas que não fazem questão da sua presença, porque em uma amizade de verdade não existe competição. Só há espaço para a admiração, respeito e carinho. Vale sinceridade e estar junto em dias bons ou ruins. E uma não amizade tem espaço para apatia profunda, um silêncio sufocador e não interesse das duas partes.
Agora que aprendi a reconhecer essa nova categoria, meu coração fica mais aliviado e assim, eu posso seguir em frente com os meus amigos de verdade.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Tudo que eu queria te dizer e não disse




Já vai fazer um ano que tudo aconteceu. Parece que o tempo não perdoa mesmo. Sem dúvidas, eu era outra pessoa. Que bom que o tempo passa não é mesmo? Sei que hoje somos pessoas completamente diferentes e estamos muito felizes com isso. Você deve estar se perguntando porque eu resolvi escrever este texto. Não pense que foi para você, não foi. Mas agora que tudo passou, contar tudo que aconteceu não vai doer. Vai parecer que aconteceu com outra pessoa e não comigo.
 Nossa amizade se foi no último dia do mês e por causa de um programa fútil e ridículo. Cabeça quente e opiniões fortes demais fizeram com que a gente discordasse e começasse uma guerra que teve fim e pergunto, quem foi o vencedor mesmo?
 Eu não voltaria no tempo. Sei que se eu voltasse poderia ter a sua amizade de volta, mas não é isso que eu quero. Não me entenda mal. Só que todas as pedras no caminho que encontrei foi o que fizeram crescer e me tornar ser quem eu sou hoje. Se todas aquelas coisas não tivesse acontecido, talvez eu não fosse quem eu sou hoje.
 De formas diferentes, crescemos e nos tornamos novas pessoas. Que bom! É para isso que servem as dores e as alegrias, para tornar as pessoas melhores do que elas podem ser.
 Eu quis muito que desse certo, me doei muito. Uma hora chega o momento de apagar as fotos, queimar as cartas e deixar o passado para trás. Você foi uma amizade que me fez bem e que nunca poderei esquecer. O amigo que se torna inimigo também se torna inesquecível. E desse eu não sinto falta. Lá dentro, vão ficar gravadas as minhas memórias. As risadas, os bilhetinhos, as conversas sem hora para acabar. É, eu vivi tudo intensamente e você também viveu.
 Sei que onde estiver, você está feliz e eu também estou. Se eu vou sentir falta? Difícil responder quando você nem conhece mais a pessoa. Crepúsculo, sonhos, nossas composições e escrever. Disso eu vou sentir falta, nossas coisas que deixamos para trás.




No entiendo de política
Soy fan del rock and roll
Se que me critican por ser como yo soy
No vivo en el mañana yo vivo el dia de hoy
Que digan lo que quieran
Yo soy como soy







quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Máquina do tempo





Está tarde e parece que vai chover. O céu está nublado, anuncia uma grande tempestade. Aqui no meu quarto rodeada dos meus livros velhos e canções indies que ninguém entende. E nunca vai entender, eu me recordo. Fecho os meus olhos, minha memória está cheia de lembranças. Posso sentir o cheiro e perfume de olhos fechados, como se estivesse presenciando a cena. Lembranças agudas que despertam os fantasmas em mim.
São sombras, momentos e laços que se foram, mas não vou me esquecer. Não, eu não me permito!
Ao mesmo tempo, são cenas e frases que mexem com a parte que jurei estar congelada. Uma nostalgia que sinto justamente no lugar que menos deveria sentir: no lado esquerdo do peito.
Que esse sentimento vá embora e me deixe em paz onde estou. Feche a porta, guarde as fotos e esqueça as memórias.
Então, meio que de repente, toca aquela música, vejo rapidamente aquela série e um livro que são marcantes na minha vida e sou inundada por reminiscências. E eu me faço um monte de perguntas: por que as coisas têm que ser assim?
São tempos, idades e pensamentos que não voltam. Só vão ficar gravados na minha memória...



"Oh, we set our dreams to carry us in the middle where we were one"