sexta-feira, 24 de maio de 2013

Paraíso do mundo.





Havia uma casa no meio do nada e ela era linda. Não me recordo muito bem da sua localização, mas me lembro perfeitamente daquele dia. Havia tido um dia cansativo e estava triste. Às vezes, tenho aquela cruel sensação de que meu próximo, tão humano quanto eu, jamais irá me compreender. E nesse momento que recorro a música e aos livros, os meus maiores amigos. Meus maiores confidentes.
 Naquele dia, estava correndo pela estrada em direção a lugar algum. A coisa que eu menos queria era pensar. O volume da música estava um tanto alto e parecia competir com a velocidade das lágrimas que despencavam do meu rosto. Era um fim de tarde e eu me perguntava, por quê raios a vida precisa ser tão difícil?
 Várias paisagens passavam por mim e eu viajava. E era lindo de se ver, a natureza, a paisagem. É tão bom não ver pessoas durante um tempo, nem trânsito, nem cidade e ter contato com a natureza. É bom parar, diminuir o ritmo. A vida passa por mim, mas eu não passo por ela. Parece que a natureza ainda é a única que continua autêntica, não importa o que aconteça.
 O cantor berrava sob meus ouvidos e eu cantava alto junto com ele. Naquele momento, só ele me entenderia. Eu me sentia velha, fora do eixo. Eu me sentia só, mas me sentia bem. Uma solidão plenitude. Vá entender.
 Ao mesmo tempo, sentia uma tristeza e uma sensação de que não pertencia a lugar nenhum. Ainda acumulado a tudo que tinha acontecido naquela tarde e foi então que cheguei naquele lugar.
 Eu sempre fui apaixonada por crepúsculos e fins de tarde. Um momento tão simples e mágico da natureza que ficava feliz só por assistir. Freei bruscamente, pois tinha medo de que meus olhos estivessem me traindo.
 Pensei ter chegado ao paraíso. Será que eu morri? Desci do carro com cuidado para não desviar o olhar. Havia uma casa simples no meio do nada e ao redor dela, um festival de crepúsculo dos deuses. Em todos os tons e cores. Eu estava maravilhada com tudo aquilo, um espetáculo lindo demais. Ali, tudo parecia fazer sentido outra vez. Foi então que uma série de visões caiu sobre mim. E então eu vi...
 Havia uma casa simples no meio do nada e ao seu redor, uma paisagem digna dos deuses. Aquela casa era misteriosa demais e parecia guardar um segredo. As coisas mais incríveis e que ninguém imagina acontece por lá. Não era qualquer um que poderia morar ali. Apenas os iluminados. Fui tomado pela vontade súbita de me juntar aquele lugar, era tão incrivelmente belo...Foi então que eu vi. Ali, naquele lugar, acontecia as tempestades mais violentas e mais loucas que pode se imaginar. Raios, trovões e quem entrava, jamais saía. Terror? Sinistro? Talvez sim, talvez não. Mas eu acredito que não. Acredito que aquela casa guardava algo muito mágico incompreensíveis aos olhos humanos. Era iluminado, bom. Por isso, não seria qualquer um que entraria ali.
Eu queria entrar, não queria voltar. Moraria naquela casa longe de tudo feliz para sempre. Por pouco fiquei, pude sentir meus pés grudando naquele lugar. Era realmente algo mágico. Eu podia sentir a magia açoitando sobre mim. Eu sorria como nunca sorri na vida. Só que eu sabia que tinha que voltar, enfrentar meus problemas e buscar soluções. Mas não tem problema, um dia voltarei para lá e não retornarei jamais. Descobri meu paraíso no mundo, meu esconderijo, meu conto de fadas. Não vou desistir dos meus sonhos.