quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ninguém mais lê os clássicos




Eu sou uma velha no corpo de uma jovem. Adoradora de clássicos que não dispensa um livro velho, sebo e páginas empoeiradas. Essa minha obsessão por livros antigos começou quando me apaixonei por Machado nos tempos do pré vestibular. Essa história é engraçada, porque naquela época odiava Machado sem nunca ter lido nada dele. Até que a minha professora de literatura virou para mim e disse que deveria ler. Me despi do preconceito e fui ler Dom Casmurro. E estamos juntos até hoje. Foi Machado que me fez ter certeza que queria fazer Letras. Foi amor a primeira página.

Depois dele, inúmeros outros amores surgiram e o que notei, foi que os livros contemporâneos não me fazem sentir metade do que senti com os clássicos. Mas deixo claro, sou uma grande fã da velha guarda. Sou nostálgica, saudosista e apaixonada pela década de 80. Era óbvio que se transformaria em amor. E virou.
Hoje busco nos livros atuais aquilo que senti nos clássicos. Mas aquele sentimento não vem me visitar quando leio os livros que são produzidos hoje em dia. Sempre que sinto necessidade de sentir aquilo, eu abro os clássicos e todo um mundo se abre para mim.

As pessoas já não tem o mesmo princípio, tudo se tornou fácil demais, nada demais. E eu não quero aceitar isso. Quero nadar contra a corrente, viver amores antigos e viajar no tempo para um lugar onde possa sentir essas estrelas que insistem em brilhar dentro de mim sempre que leio os clássicos. Olha Machado, o que você fez comigo!

Eu vou sempre sentir que estou na época errada. E eu amo essa sensação. Isso é definitivamente libertador.

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